Vitória da Conquista . Bahia
 Artigos...
.

12 de Março de 2007
Mendel: o anti-herói

Colunista discute por que o brilhante monge não tem o mesmo prestígio científico de Darwin

Recentemente, assistindo a um programa do jornalista americano Charlie Rose sobre Charles Darwin, no qual ele entrevista os famosos geneticistas americanos James Watson (leia-se “estrutura do DNA”) e Edward O. Wilson (leia-se “sociobiologia”), ouvi o seguinte diálogo:

Wilson: “Gostaria de sugerir que, daqui a 500 anos, talvez daqui a 1000 anos, haverá dois marcos principais da origem da biologia moderna: a Origem das espécies de 1859 e o artigo de 1953 demonstrando a estrutura do DNA, por Watson e Crick.”
Watson: “Não quero soar modesto, mas eu adicionaria um terceiro, que é o de Mendel em 1865.”
Wilson: [veementemente]: “Discordo!”
Por que Gregor Mendel (1822-1884) não seria considerado uma figura da mesma estatura científica de Darwin? Eis um prato cheio para os historiadores da ciência. Minha opinião é que, simplesmente, faltava-lhe carisma. Seu arco de vida não é aquele do herói mítico que discutimos em janeiro – pelo contrário, atrevo-me a dizer que Mendel é um anti-herói trágico. Uso aqui a expressão “anti-herói” no mesmo significado do Dicionário Houaiss que o define como “oposto do herói, especialmente personagem de ficção a quem faltam atributos físicos e/ou morais característicos do herói clássico”.

Sou fã de carteirinha do Mendel. Basta ler o seu artigo de 1865 intitulado “ Experimentos sobre a hibridização das plantas ” para sentir um intelecto poderoso em ação, brilhante no planejamento detalhado dos experimentos, na análise cuidadosa dos dados e na interpretação disciplinada dos resultados. O trabalho é um triunfo do método científico, com doses equilibradas de inspiração e perspiração!

A conclusão da pesquisa de Mendel – contra-intuitiva para a época, mas cogente, inevitável e irrefutável – foi que a transmissão de caracteres hereditários ocorria de maneira particulada, quântica, descontínua, por meio dos “genes” (que só viriam a receber este nome em 1906). Certamente ele descrevia um mecanismo biológico de singular beleza e de uma simplicidade franciscana (no caso de Mendel poderíamos também dizer de uma transcendência agostiniana, já que esta era a sua ordem religiosa).

Assim como a gravitação newtoniana basta para explicar a mecânica celeste e a seleção natural darwiniana basta para explicar a evolução da vida na Terra, a herança “particulada” de Mendel basta para explicar a hereditariedade genética. E tudo isso contido em um texto espartano, científico, factual, matemático. Como disse São Jerônimo (342?-420), responsável pela Vulgata , a primeira tradução da Bíblia para o latim: venerationi mihi semper fuit non verbosa rusticitas, sed sancta simplicitas (“Sempre reverenciei não a rústica verbosidade, mas a santa simplicidade”). Não resisto aqui à tentação de lembrar que o alter ego do cultíssimo São Jerônimo no sincretismo afro-brasileiro é o poderoso Xangô. Saravá!

Feio, pobre e mora longe
Quando eu era criança, era comum descrever um indivíduo sem grandes qualidades aparentes com a expressão “é feio, pobre, tem pé grande e mora longe”. Não sei quanto Mendel calçava, mas certamente ele preenchia todos os outros requisitos.

Em uma cápsula: Mendel nasceu na Silésia, na Europa Central, muito longe de Londres, Paris, Berlim e Viena, os grandes centros científicos da época. Sua família era de modestos agricultores. Foi batizado como Johann, nome trocado mais tarde por Gregor, ao entrar em 1843 para a Abadia Agostiniana de São Tomás em Brünn (hoje na República Tcheca, mas na época parte do Império Austro-Húngaro). Sua vocação religiosa é questionável – no século 19, a única opção viável para um jovem pobre que quisesse seguir uma carreira “científica” era o ingresso em um convento. Em 1851 o monge Gregor foi enviado para cursar a Universidade de Viena. Retornou em 1853 como professor de física, acumulando as funções de hortelão e jardineiro da abadia.
Entre 1856 e 1863 Mendel conduziu experimentos de hibridização genética na ervilha Pisum sativum (e em abelhas), analisando mais de 28 mil plantas. Em 8 de fevereiro e 8 de março de 1865, teve oportunidades de apresentar seus resultados na Sociedade dos Naturalistas de Brünn e o texto foi publicado no ano seguinte (mas com data de 1865) nos Anais da Sociedade. Eleito abade logo depois, Mendel ficou absorvido com tarefas administrativas e brigas com o governo a respeito de impostos, praticamente abrindo mão de seus interesses científicos. Permaneceu no mosteiro até sua morte em 1884, aos 61 anos.

Certamente o charme dessa biografia é zero! A menos que fizesse um esforço para ler cuidadosamente o trabalho de Mendel, ninguém conseguiria apreciar a magnitude de seu gênio. Mas por que fazer esse esforço? Quem imaginaria que os segredos mais fundamentais da biologia estariam contidos em um artigo em alemão com o título insípido e hermético de “Experimentos sobre a hibridização das plantas”?

Ignorado em vida como grande cientista, Mendel sofreu ainda uma campanha de difamação após a festiva e explosiva redescoberta de seus trabalhos em 1900 . As acusações de que os seus resultados eram “bons demais” para serem verdadeiros poderiam ter passado despercebidas, não fosse o fato de o coro dos maledicentes ser liderado pelo legendário Sir Ronald A. Fisher (1890-1982), um dos pais da estatística e da genética de populações, importante figura da ciência inglesa no século 20.

Sete caracteres, sete cromossomos
Dois aspectos do trabalho de Mendel foram destacados por Fisher e outros críticos como altamente suspeitos: o número e natureza de caracteres que ele estudou e as proporções fenotípicas observadas em seus experimentos. Com relação aos primeiros, Mendel examinou sete caracteres diferentes e observou segregação independente entre eles.

Antes de continuar, vale a pena lembrar que o genoma da ervilha Pisum sativum tem sete cromossomos. Seria uma coincidência extraordinária Mendel ter escolhido a priori sete características fenotípicas unilocais, todas localizadas em cromossomos diferentes, o que lhes garantiria segregação independente. Com base neste raciocínio, alguns sugeriram então que o mais provável era que Mendel tivesse trabalhado com um número maior de caracteres e descartado os que apresentaram distorções de segregação por estarem presentes no mesmo cromossomo e ligados. Assim, começaram a soprar as brisas da calúnia que tendem a crescer e a se transformar em furacões (estou a pensar aqui na deliciosa ária La calunnia è un venticello , da ópera Barbeiro de Sevilha , de Rossini).

Para mim, essas dúvidas foram muito bem resolvidas em uma carta publicada no periódico Nature em 1975 por Stig Blix, um geneticista sueco que naquela época estava trabalhando em Piracicaba (SP), no Centro de Energia Nuclear na Agricultura. Blix mostrou que, dos sete caracteres estudados por Mendel, dois estavam no cromossomo 1, três no cromossomo 4, um no 5 e outro no 7.

Por que, então, não houve distorções ocasionadas pela ligação? Segundo Blix, os dois genes no cromossomo 1 e dois dos três no cromossomo 4 estão tão distantes um do outro que se segregam independentemente. Apenas um dos pares poderia ter apresentado ligação, mas aparentemente Mendel nunca estudou a segregação deles. Assim, a meu ver, Mendel fica completamente inocentado da primeira acusação de fraude.

O paradoxo do “bom demais”

Sir Ronald A. Fisher analisou os dados combinados de Mendel usando um teste estatístico chamado qui-quadrado e achou que eles eram ajustados demais, ou seja, era extremamente improvável que Mendel tivesse encontrado aqueles resultados puramente ao acaso. Em 1937 ele publicou um artigo concluindo que Mendel, ou algum assistente, havia falsificado os dados. Considerando-se a importância e influência de Fisher, não é surpresa que essa acusação tenha se difundido pela comunidade genética, sendo mesmo mencionada em vários livros-texto até hoje.

Entretanto, como demonstrado em 1984 por Ira Pilgrim em um breve artigo , o grande matemático inglês cometera um erro lógico! Fisher havia incorrido em uma versão estatística da falácia ex-post-facto , que consiste em se conscientizar sobre a baixa probabilidade de um evento depois de ele ter ocorrido e a partir daí fazer inferências retrospectivas sobre suas possíveis causas!

Por exemplo, imagine que você esteja em uma roda de pôquer e alguém receba “de cara” um royal straight flush (10-J-Q-K-A de um mesmo naipe). Imediatamente você se levanta e declara: a probabilidade de isto ocorrer é de apenas 0,0000015, portanto deve ter havido fraude! Esse comportamento seria extremamente ilógico, para não dizer antiesportivo. Cada jogador recebe um conjunto de cartas e qualquer conjunto de cartas específico é igualmente improvável a priori !

A probabilidade de um bilhete específico ser premiado na Loteria Federal também é baixíssima, e mesmo assim toda semana um bilhete é premiado! Você não pode acusar o ganhador da loteria de desonestidade só pela baixa probabilidade inicial de seu bilhete vir a ser sorteado! De novo as acusações contra Mendel caem por terra.

Uma versão bastante comum desta mesma falácia ex-post-facto refere-se à baixíssima probabilidade da emergência espontânea da vida na Terra e de sua evolução por mecanismos naturais até o aparecimento do Homo sapiens . Postula-se, então, a existência de uma deidade que tenha dirigido o processo. Esse tipo de argumento falacioso é freqüentemente invocado contra a teoria da evolução, o que nos leva de volta a Darwin.

Mendel e Darwin
Mendel era grande admirador de Darwin e leu praticamente toda a sua obra. Ainda há na biblioteca do mosteiro de Brünn uma cópia da  Origem das espécies  (segunda edição, em alemão, de 1863) cheia de anotações marginais feitas por Mendel. Por outro lado, não existe evidência de que Darwin sequer soubesse da existência de Mendel. O exemplar dos Anais da Sociedade de Naturalistas de Brünn que continha o artigo “Experimentos sobre a hibridização das plantas” de Mendel foi encontrado na biblioteca de Darwin após a sua morte, mas as folhas duplas típicas das publicações antigas (que vinham fechadas e precisavam ser cortadas com uma espátula) não haviam nem sido abertas para leitura...


Sergio Danilo Pena
Professor Titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia
Universidade Federal de Minas Gerais
09/03/2007.•

Publicado por Paulo Nunes, do Ciência Hoje, às 14:20.
deixe seu comentário


09 de Março de 2007
Estabeleça Prioridades

Toda carreira segue rumos e prumos inesperados e é muito fácil distorcer o caminho entre o planejado e o realizado. Por indecisão, não saber bem o que se quer da vida, entre outros motivos acabamos remando pelos mais diversos mares. O que é bom! Precisamos conhecer empresas e áreas diferentes até determinarmos em que área realmente tentar fazer uma carreira. Mas também não é legal ficar pulando de galho em galho e passar muito tempo na indefinição, pois o tempo passa e é difícil recuperar certas etapas. Um dos princípios para conseguir ter uma carreira de sucesso é a capacidade para estabelecer prioridades Vamos ver como:

Tenha autodisciplina. Não é papo de exército, mas a autodisciplina é uma característica muito comum em pessoas que se dão muito bem na carreira. Elas conseguem respeitar prazos e atingir melhores resultados não porque são gênios, mas porque tem uma organização pessoal acima da média. Estipulam horários e os cumprem, conseguem estar concentrados em suas atividades. E por falar nisso...

Concentre-se. Esteja por inteiro onde estiver. Não entre em uma empresa pensando logo em ir para outra, aproveite ao máximo a oportunidade presente. Sonhe alto, mas lembre que a realização de seu sonho começa agora. Não fique fazendo mil coisas ao mesmo tempo e não realizando nada direito. Não queira abraçar o mundo e se metendo em projetos e mais projetos e não terminando nada. Perceba se em tudo o que você participa tem começo, meio e fim.

Nem tudo é super urgente. Hoje em dia é tudo para ontem. Vivemos em um mundo dominado pelo sentimento de urgência. Queremos ficar ricos logo, ser diretor da empresa com um ano de casa, e por aí vai. Mas junto com o super urgente vem a ansiedade, a insônia, uma pressa muitas vezes injustificada. Quem já não fez algo “pra ontem” e depois percebe que na era tão urgente assim. Estabeleça limites e aprenda a separar o que é prioridade do urgente. Vai fazer um bem enorme para sua carreira.

Aprenda a dizer “não”. É muito comum ficarmos cheios de trabalho e não fazendo tudo o que realmente precisa ser feito devido à incapacidade de dizer “não”. Medo, vontade excessiva de ajudar, erros de cálculo no tempo, tudo isso somado leva a sobrecarga de trabalho. Depois ficamos reclamando que estamos cheios de coisas para fazer e adquirimos o hábito de medir o trabalho alheio. Afinal, fulana sempre tem menos coisas para fazer do que você, não é mesmo? Não queira agradar sempre, faça as coisas bem-feitas e diga “não” quando tiver convicção de que existe a impossibilidade de atender determinado pedido. Dizer “não”, não é pecado!

Tenha comprometimento com você mesmo. Todos querem uma equipe comprometida, nas empresas esse discurso é muito comum, mas ouço muito pouco isso das pessoas em relação a si mesmas. Os valores e visão da empresa são condizentes com os seus? Você pretende dar uma boa parte de sua vida para essa empresa? Você está feliz? Primeiro comprometa-se com seus sonhos, valores e metas porque as chances de realização aumentam em muito se você trabalhar em um lugar onde você tenha maiores chances para realizar essas aspirações.

Sua carreira para ser bem sucedida precisa de prioridades bem estabelecidas, concentração no que se quer e ação, muita ação para atingir os seus objetivos. São etapas a serem vencidas, degrau por degrau sempre com uma boa base de sustentação. Assim você não cai nunca quando chegar lá no topo.

Paulo Araújo - palestrante e escritor. Autor de “Seja Dono de Sua Própria Vida” (Editora Qualitymark), entre outros livros.•

Publicado por Paulo Nunes, de Paulo Araújo , às 19:44.
deixe seu comentário


02 de Março de 2007
Posicionamento da Suprema Corte sobre crédito de IPI em produtos isentos, não tributados ou com alíquota zero fragiliza a Segurança Jurídica

A segurança jurídica é condição indispensável para que cada cidadão possa ter certeza quanto às conseqüências de seus atos, saber quais os bens que a ordem jurídica lhe garante, traçar e executar os seus planos de futuro, sendo mister que, conforme leciona Miguel Reale, “uma ordem jurídica declare, em última instância, o que é lícito ou ilícito."

Uma série de julgados da mais alta Corte de Justiça do País, que guardem, entre si, uma linha de coerência e que, contínua e reiteradamente, garantem aos contribuintes certos direitos, resume uma certeza sobre esses direitos, representando a segurança jurídica para o cidadão sobre aquela matéria. 

É o que se pode dizer acerca do direito ao crédito de IPI nas entradas de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, em relação ao qual a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal era reiterada e uniforme. 

Não obstante isso, empresários e advogados foram surpreendidos com as decisões do Supremo Tribunal Federal em seção realizada em 15/02/2007, de um lado, porque concluído o julgamento dos Recursos Extraordinários – RE 370.682; 353.657; e 353668, em relação aos quais resultou garantidos aos autores das ações o direito ao crédito de IPI sobre as entradas de insumos isentos, não tributados ou tributados pela alíquota zero e, por outro, pelo fato de que, na mesma seção, foram apreciados os RE´s 357.277 e 350.446, cujas decisões foram em sentido oposto, isto é,  de que os contribuintes não são merecedores de tais créditos.

Esses últimos julgamentos foram suspensos para que os Ministros decidam se o novo posicionamento da Corte sobre o assunto terá efeitos prospectivos (ex nunc – para o futuro) ou aplicam-se também em relação a fatos passados (ex tunc). Sobre este tema nos ocuparemos ao final.

Voltando à pauta de 15 de fevereiro, vê-se que três contribuintes sagraram-se vencedores e tiverem seu direito ao crédito de IPI reconhecido e outros dois, em idênticas condições, não obtiverem êxito em seus pleitos.

Com efeito, em outubro de 1998 uma companhia madeireira impetrou mandado de segurança contra ato do senhor Delegado da Receita Federal no Paraná que a impedia de aproveitar créditos de IPI sobre entradas de matérias-primas isentas, não tributadas e sujeitas à alíquota zero. Em 12 de agosto de 1999, o MM Juiz Paulo Cristóvão de Araujo Silva Filho, da 3ª Vara Federal de Curitiba concedeu a segurança garantindo à empresa o direito ao referido crédito.

A sentença foi contestada pela União mediante recurso interposto ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região que, na Seção de 25.05.2000, negou provimento ao apelo, mantendo a decisão que reconheceu o crédito.

Mais uma vez inconformada, a União recorreu do acórdão do Tribunal Regional Federal e manifestou Recurso Extraordinário (RE 353.668) ao Supremo Tribunal Federal que, por maioria de votos, não conheceu do recurso, ratificando o entendimento no sentido de que as entradas isentas, não tributadas e alíquota zero geram direito ao crédito de IPI.

Vislumbrando omissão no julgado, a União interpôs Embargos de Declaração, objetivando obter do STF esclarecimentos se, de fato, a empresa teria direito ao crédito também sobre entradas não tributadas e com alíquota zero, conformando-se, haja vista a remansosa jurisprudência, com o crédito sobre entradas isentas.

Na já referida seção realizada em 15 de fevereiro, o Plenário do Supremo Tribunal Federal rejeitou novamente os argumentos da União e manteve inalterada a decisão anterior, que reconheceu à companhia madeireira o direito ao crédito de IPI sobre entradas isentas, não tributadas e com alíquota zero.  

Situação idêntica ocorreu com os RE`s 357.277 e 350.446, que reconhece o crédito amplo em favor de uma cooperativa vinícola com sede no Rio Grande do Sul e de indústria de alimentos localizada no Estado do Paraná.

Decididos esses recursos, submeteu-se a julgamento os RE´s 353.657 e 370.682, decorrentes de ações de autoria de outra indústria madereira, também localizada no Paraná, e de uma indústria de embalagens plásticas estabelecida no Distrito Federal e, para espanto geral, a Corte Máxima mudou sua orientação e, por 6 votos contra 5, decidiu que ditas empresas não são detentoras do direito ao crédito de IPI, na mesma situação em que às demais havia sido, há poucos minutos, mantido tal direito.

Não é necessário dizer que, ao lado do abalo à segurança jurídica, o futuro das empresas que não tiverem o direito garantido estará seriamente comprometido, pois, nos mercados em que atuam, uma poderá aproveitar crédito de IPI sobre entradas de produtos isentos, não tributados ou tributados pela alíquota zero, e outras não.

Companhia madeireira localizada no Paraná que não tenha tido o direito garantido estará fadada à quebra, pois não terá como concorrer com àquela para qual o crédito foi autorizado. O mesmo poderá ocorrer com as vinícolas estabelecidas no Rio Grande do Sul, que, ao par da violenta concorrência que sofrem com produtos estrangeiros, terão de concorrer em situação de absoluta desigualdade com aquela que teve o direito garantido. O mesmo se diga das indústrias de alimentos e de embalagens plásticas.

A questão que ainda há de se colocar é sobre os efeitos da nova interpretação dada pelo Plenário do Supremo Tribunal à matéria. Conforme observado anteriormente, o julgamento foi suspenso para que os Ministros da Corte se manifestem se a decisão terá efeitos prospetivos (ex nunc), isto é, somente se aplicando aos fatos ocorridos a partir da sua publicação, mantendo-se, até essa data, a interpretação anteriormente consolidada, ou o entendimento valerá também para o passado (ex tunc).

É entendimento pacífico naquela Alta Corte (embora vimos que mesmo sendo pacífico o entendimento pode facilmente ser modificado) que a atribuição de efeitos prospectivos à decisão tem cabimento quando o tribunal manifesta-se expressamente sobre o tema.

Em nome do princípio da segurança jurídica é de se esperar que a Corte Suprema do País, mantendo a coerência, reveja essa última decisão, especialmente quanto às entradas de matérias-primas isentas ou, quando menos, determine aplicável o novo critério jurídico interpretativo apenas e tão somente aos fatos ocorridos a partir de sua publicação, evitando com isso, malferir o artigo 146 do Código Tributário Nacional.•

Publicado por Paulo Nunes, de Gilson J. Rasador Diretor da PACTUM Consultoria Empresarial Ltda , às 19:07.
deixe seu comentário


26 de Fevereiro de 2007
Transparência na Super-Receita

A aprovação do projeto da Super-Receita, depois de quase de dois anos da sua remessa ao Congresso Nacional na forma original de uma Medida Provisória (MP 258/2005), traz consigo grandes expectativas e grandes preocupações para o Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal. Espera-se que a transparência, a participação da sociedade no controle dos espaços públicos e um Estado eficiente e eficaz sejam os princípios norteadores dessa “Super” estrutura chamada de Receita Federal do Brasil.

No quesito transparência, a administração tributária sempre se abrigou no manto do sigilo fiscal e na complexidade normativa para manter-se fora do foco do controle social. Isso porque o conceito tradicional de transparência se refere exclusivamente aos gastos do setor público, sem uma visão holística que integre a gestão financeira e a gestão estratégica dos organismos estatais para que se apresente à avaliação do cidadão. Ao concentrar praticamente toda a arrecadação federal em um único órgão, o contribuinte perceberá, mais claramente, o total de recursos que coloca à disposição do Estado.

Para se ter uma idéia do que estamos falando, estima-se que a Receita Federal do Brasil arrecade para os cofres públicos cerca de R$ 520 bilhões no ano de 2007. Por isso, o Sindireceita defende a necessidade de se criar um instrumento como um Código de Relacionamento Fisco-Contribuinte, deixando mais claros suas obrigações e direitos para com a fazenda pública. Para “destravar” o Brasil, é preciso começar pela modernização desse rígido e arcaico modelo, com habilidade, senso de justiça e espírito público.

No quesito participação popular, o único instrumento público que a sociedade dispõe se dá na forma de prerrogativa constitucional do Senado Federal. O artigo 52 da Constituição Federal, no seu inciso XV, atribui ao Senado Federal a competência para “avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios”. A utilização desse instrumento poderia abrir espaço para que os contribuintes e a população em geral pudessem manifestar as suas críticas e sugestões, tanto ao sistema tributário quanto na sua forma de administração. Não temos conhecimento da utilização desse instrumento até hoje.

No quesito eficiência e eficácia os fatos falam por si. Se tomarmos como referência a arrecadação de tributos, podemos dizer que é impressionante. Mas se tomarmos como referência a percepção da população e dos contribuintes, a coisa muda de figura. A excessiva burocracia só perdoa a quem se submete à força do fisco. Qualquer litígio com o fisco só não é pior do que se enfrentará no judiciário, se o contribuinte recorrer depois de perdida a questão no âmbito administrativo. O cipoal da legislação tributária engessa e desencoraja investimento no setor econômico.

A compensação de tributos federais é uma bomba-relógio reconhecidamente inadiministrável, colocando em risco créditos tributários fundamentais, hoje em montante superior a R$ 100 bilhões. A restituição do imposto de renda é uma novela kafcaniana para o contribuinte honesto e uma porta aberta para os estelionatários. A invasão dos produtos piratas destrói, como um câncer, o tecido econômico e social, jogando na dupla marginalidade os trabalhadores informais.

O que se espera é que a expectativa que foi criada pelo governo, com a unificação do fisco federal, seja capaz de induzir o debate público e transparente sobre a administração tributária e o sistema tributário brasileiro. Tanto o arcabouço jurídico como a estruturação da sua administração tem que ser desnudado e debatido pela sociedade para que possamos fazer uma “concertação” ou um novo “pacto” entre a sociedade e o Estado. Isso para o bem de todos.•

Publicado por Paulo Nunes, de Paulo Antenor de Oliveira - Presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal - Sindireceita, às 20:51.
deixe seu comentário


19 de Fevereiro de 2007
Bolívia - a luta para ser nação

Em 1952, o país vive seu despertar, quando a reação a uma tentativa de golpe militar transforma-se em revolução, mobilizando intelectuais, operários e camponeses. Apesar de abortado, o episódio está na raiz do processo atual, que levou Evo Morales à presidência.                  

Apesar do seu pomposo impacto, a nacionalização das reservas de gás natural e petróleo da Bolívia, decretada em maio do ano passado pelo presidente Evo Morales, não foi a primeira do gênero no país. Propostas anteriores de nacionalização, como as lançadas na Revolução de 1952 (provavelmente a única revolução operário-camponesa acontecida na América do Sul), mostram que se trata de um processo quase recorrente na história boliviana. E  refletir sobre o tema e sobre os fatos que levaram à derrocada desses processos ajuda a avaliar as possibilidades de êxito desse novo governo que, assim como o de 1952, busca ser revolucionário.
 
De início, vale lembrar que a ocupação das ex-colônias da América do Sul esteve ligada à exploração dos recursos naturais. No caso da Bolívia, os espanhóis encontraram recursos que logo justificariam a empreitada. As minas de prata andinas, marcadas pelo apogeu e pela decadência do Cerro Rico de Potosí, foram, provavelmente, a principal riqueza explorada pelos espanhóis em terras austrais. Mas não eram as únicas ali disponíveis. Após a independência (1826), o salitre, o estanho, o látex e o petróleo marcariam os ciclos econômicos do primeiro século de vida republicana do país.
Porém, a exploração desses recursos não se desvinculou do padrão vigente no período colonial. Exploradas por empresas diretamente ligadas a setores estrangeiros, responsáveis pela demanda desses recursos, essas atividades abasteciam uma elite demograficamente restrita e com nítida filiação étnica. A elite criolla, formada por gente nascida nas colônias e por descendentes de espanhóis, conservou a hegemonia política e econômica do país, e o conduziu a um sistema excludente, no qual a população indígena e chola (mestiços de classe média baixa) era mantida como mão-de-obra barata ou em sistemas como a pongueaje (prestação de serviços não remunerada, devida pelas comunidades indígenas aos proprietários das terras).

A nota trágica, que consagraria a imagem da Bolívia como país frágil e desagregado, seriam as perdas territoriais. Envolvida em guerras fronteiriças, a Bolívia se viu mutilada em mais de 50% do território que contava à época da independência. Dessas, além da derrota na Guerra do Acre, ao final da qual a Bolívia concordou em ceder o território acreano ao Brasil em troca de compensações econômicas, a mais dramática foi a perda da faixa litorânea para o Chile, na Guerra do Pacífico. Para um país cuja economia se baseava na exploração de recursos naturais voltada para uma demanda externa, a perda do litoral implicou prejuízos que ainda hoje marcam a economia boliviana.

Vocação mineira
Foi essa a Bolívia que ingressou no século XX. Do ponto de vista econômico, a vocação mineira boliviana teria continuidade com a exploração do estanho, na mesma região das esgotadas minas de prata (os departamentos de Oruro e Potosí). Mas, assim como no período anterior, essa exploração estava profundamente ligada aos interesses de uma oligarquia que estendia sua influência a todos os setores da vida boliviana. A "rosca", como viria a ser conhecido esse grupo, era a denominação aplicada inicialmente ao grupo das três maiores empresas exploradoras de estanho - Patiño, Hotschild e Aramayo -, todas, a princípio, de capital boliviano, mas com escritórios sediados na Europa e controladoras de quase 80% do setor. Porém, os tentáculos da "rosca" se prolongavam, em especial, nas esferas políticas, fazendo com que a condução do país se mantivesse de acordo com seus interesses. Nas questões sociais, ficava claro que o ideal do Estado passava pela exclusão, ou até mesmo a eliminação, do indígena. A idéia era que os indígenas seriam os responsáveis pelo "atraso" do país, interna e externamente.
Nesse contexto, o país se veria diante de um novo conflito. A Guerra do Chaco (1932-1935), decretada durante o governo de Daniel Salamanca, oporia Bolívia e Paraguai num conflito deflagrado, a princípio, pelo interesse boliviano no rio Paraguai, como forma de acesso ao Atlântico. Posteriormente, as companhias petrolíferas Standard Oil e Royal Dutch Shell seriam acusadas de insuflar o embate, em razão das prováveis reservas de hidrocarbonetos da região. O resultado foi uma nova derrota boliviana, a perda de dois terços do Gran Chaco, a região de planícies que divide os dois países, e a detonação de um processo de reflexão em âmbito nacional que imporia transformações profundas na trajetória do país.

Por um lado, a derrota  lançou questionamentos sobre a soberania do país. Por outro, para o conflito concorreram basicamente indígenas e cholos, uma vez que a oligarquia não mandava seus filhos à guerra. Os relatos do período dão conta de recrutamentos forçados de camponeses indígenas, aqueles mesmos que em outros momentos eram considerados entrave ao desenvolvimento do país.

O processo de reflexão ocorreu em todos os níveis da sociedade. Indígenas retornavam do campo de batalha a suas comunidades trazendo ligações traçadas com setores sindicais urbanos. Além disso, o armamento não foi devolvidow, passando a formar pequenos arsenais de fuzis em posse dessas comunidades. Dessa forma, tinha início uma mobilização no meio rural, que elevou as tensões entre proprietários de terras e indígenas insurretos.

Os militares se dividiam entre um setor nacionalista, que retornara do campo de batalha desejoso de reformas, e outro ligado às elites, que ainda ansiavam por manter-se no poder. Essa divisão se projetaria num conturbado cenário político, com alternâncias dos dois grupos à frente do Estado. A fase dos militares nacionalistas no governo seria conhecida como o período do "socialismo militar", com abertura política para a participação de indígenas e operários, mas sob forte controle estatal. Porém, a força da "rosca" permanecia, e tais governos terminaram, quase sem exceção, de forma trágica.

A criação da YPFB
O primeiro decreto de nacionalização da história boliviana data desse período. O governo do general David Toro, que governou por pouco mais de um ano, entre 1936 e 1937, expediu duas medidas de extrema importância no período: a criação do Ministério de Minas e Petróleo e da estatal YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolivia) e, posteriormente, a nacionalização das reservas da Standard Oil. A empresa americana havia sido acusada de traição à Bolívia, por haver vendido petróleo boliviano às forças paraguaias durante a guerra.

Mas a tensão e o acirramento dos ânimos marcariam o período com dois acontecimentos trágicos. O presidente German Busch (1937-1939) se suicidaria, acossado por pressões; e o major Gualberto Villaroel (1943-1946) seria enforcado em praça pública por uma multidão, após sua aproximação com os movimentos indígenas. Entre outras medidas que desagradavam à oligarquia, o presidente havia decretado o fim da pongueaje e a construção da primeira refinaria de petróleo boliviana.

A articulação dessa diversidade de sentimentos de inconformidade ficaria a cargo de um ator surgido em meio à intelectualidade do meio urbano. O questionamento das causas da inoperância boliviana levou ao nascimento de um movimento nacionalista vigoroso, que propunha a reformulação da nação sobre bases mais abrangentes, reconhecendo-se, primeiramente, como uma nação mestiça. E seu artífice era um partido político: o Movimiento Nacionalista Revolucionário (MNR), partido que se destacava pelas figuras centrais de Victor Paz Estenssoro e Hernán Siles Suazo.

Victor Paz já havia se destacado à frente do MNR nas coalizões em que o partido apoiara os governos militares e, como candidato presidencial, venceu as eleições de 1951, surpreendendo os conservadores . A saída do então presidente Mamerto Urriolagoitia foi a de decretar um autogolpe, ignorando os resultados das urnas e entregando o governo a uma junta militar. Estava aceso o estopim para a revolução.
Junto às forças militares nacionalistas, o MNR tentaria impor o resultado das urnas por meio de um contragolpe de Estado, que logo deu sinais de que seria sufocado pelas forças leais ao governo. Porém, de maneira inesperada, o golpe do MNR detonou uma série de rebeliões nos já agitados meios mineiros e camponeses, que, formando milícias armadas (com fuzis da Guerra do Chaco, ou mesmo interceptando carregamentos do exército), afluíram a La Paz em apoio aos nacionalistas. As principais cidades do país também assistiriam a revoltas de sua população e, em 9 de abril de 1952, ao cabo de três dias de uma revolta que não previra, o MNR era alçado ao poder, com Victor Paz Estenssoro na presidência e Hernán Siles Suazo como vice.

A tarefa que se impunha era difícil: articular uma gama de interesses distintos que chegava ao poder de forma abrupta e que logo exigiria sua parte na fatura. Assim, o MNR desenhou uma coalizão de "co-governo": no dia 16 de abril, uma semana após a revolução e com a presença de Victor Paz, era formada a Central Obrera Boliviana (COB), frente sindical única que seria o braço operário do governo revolucionário. E os militares veriam o exército desarticulado, com as milícias camponesas assumindo o papel de forças armadas.

Nacionalização das reservas
O governo MNR-COB teve um início arrasador, decretando medidas que atendiam às demandas de suas frentes de apoio. Entre elas, na questão econômica, o governo decretou a nacionalização de todas as reservas minerais do país, o que significava o fim da "rosca", e a formação da empresa estatal Comibol (Comissão Mineira Boliviana). Porém, não tardaria para que medidas como essa encontrassem seus limites. A fragilidade econômica do país era evidente. A economia continuava baseada na exploração do estanho, e a ausência de refinarias no país fazia com que pouco valor fosse agregado às exportações desse mineral. Além disso, a necessidade de conceder indenizações às empresas nacionalizadas diminuía as receitas do governo.

Essa carência de receitas também ditava os rumos da reforma agrária. Não havia recursos para financiamento aos novos proprietários, e estes, inseridos de forma abrupta num sistema de produção privada distante das práticas comunitárias andinas, e após anos de pongueaje, não conseguiram obter produtividade suficiente para abastecer a si e ao mercado. A reforma agrária ia se transformando num processo espontâneo de tomada de terras por milícias armadas, enquanto os grandes proprietários, por sua vez, se deslocavam em direção ao leste boliviano (departamentos de Santa Cruz e Tarija), que servia de abrigo para as grandes propriedades e os setores conservadores.

Essas carências logo forçaram o governo a adaptar-se às pressões internas e externas, como forma de buscar financiamento para suas ações. O primeiro grande indício dessa adaptação foi o Código do Petróleo, de 1955, que, apenas três anos após a revolução, abria a possibilidade de investimentos privados junto à YPFB, e outorgava a prioridade na exploração petrolífera à Bolivia Gulf Company (subsidiária local da americana Gulf Oil Company). Com isso, o antiimperialismo, um dos pilares do nacionalismo do MNR, se via derrubado.

Não tardaram, assim, a surgir dissensões entre os integrantes da coalizão. As diferentes soluções iam do aprofundamento das medidas revolucionárias à adaptação a um cenário que lhes exigia maior moderação.

O MNR alternou-se no poder com as presidências de Victor Paz (1952-1956), Hernán Siles (1956-1960) e, novamente, Victor Paz (1960-1964). Foi nesse último governo, com a adoção do Plano Triangular em 1961 - um plano concebido pelo BID com capital dos Estados Unidos e da Alemanha Ocidental para modernização da mineração nacionalizada - e, principalmente, com a decisão de Victor Paz de concorrer à reeleição com apoio militar, que houve o rompimento entre Paz e Siles Suazo, ao lado do agravamento definitivo das tensões internas. Em novembro de 1964, três meses após a posse, o general Barrientos (vice de Paz) decretava um golpe de Estado, e com ele, o fim do governo revolucionário de 1952.

Pacto Militar-Campesino
É inegável que as transformações legadas pela revolução de 1952 permaneceram na órbita dos governos que a sucederam. O general Barrientos legitimou-se no poder por meio do Pacto Militar-Campesino, pelo qual ganhava o apoio das milícias no campo, diminuindo as pressões às quais era submetido. Ao mesmo tempo a COB, ainda que duramente reprimida pelos militares, continuava desempenhando papel importante.
A herança do nacionalismo fica evidente no governo que sucede Barrientos, morto prematuramente em acidente de helicóptero em 1969. O general Alfredo Ovando Candia, em um breve governo de pouco mais de um ano, entre 1969 e 1970, decretou o fim do Código do Petróleo e a nacionalização da Gulf Company, e estabeleceu relações com a URSS e o bloco socialista, ao mesmo tempo que sufocava focos guerrilheiros no país. Mas a força do movimento já não era a mesma, e a década de 70 veria na longa ditadura do general Hugo Bánzer o ingresso da Bolívia num cenário compartilhado pelos demais países do continente.

Já o epílogo do movimientismo do MNR se daria de forma inusitada. De volta ao poder após a redemocratização, com a reeleição de Victor Paz à presidência em 1985, foi ao mesmo MNR de 1952 que coube a missão de rearticular os objetivos, não só do partido, como das instituições que ele havia ajudado a criar. Nos primeiros meses de governo, o MNR lançaria o Decreto Supremo 21.060, que mudava o papel da Comibol, descentralizando-a e transformando-a numa administradora de contratos nos quais empresas privadas seriam autorizadas a exercer a atividade mineira. Esse decreto levou a uma traumática realocação de trabalhadores mineiros, deslocados de suas zonas de origem para novas frentes agrárias ou para a periferia dos grandes centros. Ao mesmo tempo, abria-se ali o processo de capitalizações - privatizações que, segundo o governo, manteriam o controle estatal sobre as empresas. O MNR se afastava de sua função de articulador das frentes sociais, para assumir o papel de um administrador dinâmico, que buscava o ingresso da Bolívia num cenário globalizado.

Mas as pressões que o haviam levado pela primeira vez ao governo, em 1952, continuam presentes na sociedade boliviana. A retirada pouco honrosa do MNR da presidência do país em outubro de 2003, na Guerra do Gás, fortaleceu a possibilidade de ascensão ao governo de uma nova frente que, assim como a de 1952, congrega diferentes anseios e assume o poder buscando reformular a concepção de Estado e de sociedade no país. Essa frente, assim como para com os revolucionários de 1952, deverá, em breve, refletir sobre os limites com que terá de deparar, para que suas intenções não naufraguem diante de um mar de conflitos e pressões.•

Publicado por Paulo Nunes, de MARCELO ARGENTA CÂMARA/Professor mestrando em geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, às 00:38.
deixe seu comentário


13 de Fevereiro de 2007
Nada Menos do que a Excelência

A sua carreira merece que você dê o seu melhor. Nada menos do que isso. Para crescer é preciso manter um nível alto de desempenho, o que não significa a mesma coisa que uma carga horária cheia de horas extras. A questão é sempre pensar em cada trabalho de uma forma especial. Em que pode ser melhorado? Existe alguma maneira de fazer mais rápido ou mais barato? Acostumar a ter uma postura de excelência, fazendo com que isso se incorpore ao seu estilo. Seja excelente, hoje e sempre, e torne isso um hábito. Veja as sugestões abaixo para ajudá-lo a ser melhor naquilo que você faz.

Transforme seu trabalho em uma grande diversão. Nossa performance é melhor quando nos divertimos naquilo que fazemos. A rotina é algo que inibe a criatividade, então temos de criar uma rotina diferente. Use o bom-humor e de tempos em tempos pense em criar desafios novos. Não precisa esperar uma ordem do seu chefe, seja pró-ativo, alto-astral e busque novas maneiras de executar aquela tarefa. Como um jogo, crie estímulos para melhorar a qualidade de seu trabalho. 

Acredite na força da equipe. Delegue mais e demonstre confiança na pessoa que recebeu determinada tarefa. Acompanhe o trabalho de perto e esteja sempre de portas abertas para receber sugestões. Faça com que todos se sintam úteis no trabalho, verdadeiros membros de uma equipe. Respeite a individualidade e procure conhecer e destacar os pontos fortes de cada pessoa. Hierarquia existe desde que o mundo é mundo, mas cada um de acordo com seu potencial pode fazer a diferença no conjunto.

Ouça mais. Pessoas com alto desempenho nem sempre são falantes, mas sim bons ouvintes. Prestam atenção nos detalhes e valorizam seu interlocutor. Não interrompa as pessoas e não as faça perder a linha de raciocínio. Desligar o telefone celular e manter uma postura voltada para a pessoa, além de educado, valoriza o emissor e o motiva a sempre disponibilizar mais informações, pelo simples fato de se sentir ouvido. Seja generoso e ouça com atenção.

Não tenha medo de aparecer. A conquista de resultados excelentes vai aumentar a sua evidência na empresa. Você tende a participar de mais reuniões, encontros sociais e mesmo ser chamado para resolver problemas de outros setores. Na hora da ascensão cuide um pouco mais da sua postura e imagem. Adote um estilo de comunicação que tenha a ver com você e aprimore a sua forma de repassar os assuntos e conteúdos em reuniões e palestras. Não tenha receio de aparições em público, pois quanto mais se cresce na carreira, mais pessoas querem conhecer os seus métodos e táticas. Não invente moda, seja humilde e não queira mudar o seu estilo, descaracterizando sua personalidade e imagem.

Mantenha o nível de desempenho. É muito difícil manter sempre um alto desempenho, ser sempre o melhor, por isso não tenha essa preocupação, pois ela só vai lhe gerar ansiedade. Determine padrões de excelência individualmente e em conjunto com a equipe e foque os resultados. É ilusão pensar em ser sempre o melhor, querer ganhar todas ou ser sempre o promovido. Excelência significa fazer algo melhor do que antes, de uma forma que o maior interessado, seja cliente ou seu chefe, perceba. Mas nem sempre isso será possível. O objetivo é conseguir no geral sempre fazer melhor do que a média, elevando os padrões e tornando fácil o que antes parecia difícil.

Trabalhe de forma inteligente. Use a criatividade e sempre pergunte em cada situação o que pode melhorar ou se vai agregar algum valor da forma que está sendo feito. Faça bom uso da tecnologia e principalmente do tempo que se dispõe. Aproveite o conhecimento disponível e quando precisar peça ajuda e busque parcerias. Seja ousado na hora certa, não adie o que pode ser feito e não deixe pequenos conflitos se transformarem em grandes questões emocionais. Resolva-os de forma rápida e direta, evitando tempestade em copo d'água.

Crie uma cultura voltada para a excelência em sua empresa ou no seu setor. Seja um entusiasta dessa idéia e seu melhor exemplo. Uma vez que temos que fazer, nada melhor do que fazer bem-feito.•

Publicado por Paulo Nunes, de Paulo Araújo (Paulo Araújo - palestrante e escritor. Autor de “Seja Dono de Sua Própria Vida” (Editora Qualitymark), entre outros livros), às 20:28.
deixe seu comentário


06 de Fevereiro de 2007
Brasil, uma fábrica de médicos

A forma como vem aumentando o número de médicos no país, preocupa seriamente os ministérios da saúde e da educação. Segundo indicadores do governo, a taxa atual de crescimento de profissionais representa o dobro do índice progressivo da população. Apesar disso, os dados mostram um grande contraste diretamente relacionado à distribuição de médicos e escolas de medicina. Enquanto as regiões sul e sudeste contam com uma quantidade excessiva, ainda há espaço nas regiões norte e nordeste para mais profissionais e cursos.

Existe hoje no Brasil cerca de 2.793 cursos na área de saúde, as quais 51% está concentrado na região Sudeste, principalmente na cidade de São Paulo. Logo após vem a Região Sul com 21% da oferta, seguido das demais, que ao todo somam 28%.  Na Amazônia por exemplo, local onde 80% das questões de saúde são resolvidas com ações de atenção básica, concentra-se apenas 6% do total de cursos distribuídos no país, com uma formação básica considerada inadequada, de acordo com os dados da Cinaem – Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Médico. 

Segundo os indicadores, esses números têm origem profunda, pois há uma nítida constatação de que a distribuição dos profissionais e cursos da saúde, acompanham o grau de desenvolvimento sócio-econômico do país.

Tratando-se dos cursos de medicina, estudos da Cinaem mostraram que os recém-graduados no Brasil terminam a faculdade com apenas metade dos conhecimentos que deveriam ter, e a residência médica tornou-se uma continuidade natural. Isso representa um ensino focado preferencialmente na especialização precoce, não priorizando a formação do médico generalista. 

Um plano para mudar esse perfil atual de formação do médico, é o incentivo a mudanças curriculares propostas às escolas especializadas.•

Publicado por Paulo Nunes, de Renato Daidone/Jornalista em São Paulo , às 01:12.
deixe seu comentário


29 de Janeiro de 2007
"Desconstruindo a Discriminação: A Hora dos Negros Brasileiros"

A tecnologia nos permite acompanhar o momento exato do lançamento de um míssil nas várias guerras e conflitos espalhados ao redor do globo, em tempo real e da comodidade da poltrona da sala. Também podemos escolher o carro novo personalizado, efetuar compra e o pagamento de artigos de luxo nos diferentes centros de consumo global e, ainda, namorar, noivar e até mesmo casar via Internet.

Todavia, nem tudo são flores e nem mesmo os cânones revolucionários do novo tempo conseguiram solucionar os grandes temas que foram relegados em segundo plano ou que não receberam atenção. O formato do noviço tempo é incompatível com as velharias e os entulhos retrógrados do passado. Para colocar-se por inteiro, pronto e habilitado para conviver com o tempo atual é indispensável superar, corrigir e deixar no seu devido lugar, no passado, ideologias, dogmas, teses e posições políticas ou de qualquer outra natureza que, justamente, foram o motor e o motivo dessa novíssima construção.

Desigualdade e discriminação racial, temas de profundo impacto na trajetória histórica brasileira, foram tratados com desapreço e desinteresse pelo país e, agora, coloca todos os brasileiros diante do indubitável: a hora e a vez dos negros brasileiros.

Os acalorados debates que perpassam todo o país na discussão do Estatuto da Igualdade Racial na atualidade e de Cotas, dão a dimensão e coloca-se por inteiro a amplitude do desafio extraordinário que, certamente, submeterá aos mais rigorosos testes os fundamentos e a solidez das instituições republicanas, assim como a capacidade de criação e execução por parte de todos os atores vivos do país, de soluções justas, efetivas e permanentes que em curto, médio e longo prazos conduzam ao lugar necessário e imperativo nos espaços sócio, econômico, político e cultural.

Instalação do ódio racial. Violação do princípio Constitucional da Igualdade. Racialização de questão social. Supressão do princípio do Mérito. Determinação de critério racial frente ao critério legal. Inexistência de raça do ponto de vista científico. Impossibilidade de determinar quem é negro num país miscigenado. Os quotistas irão rebaixar a qualidade da universidade pública. A autoclassificação irá instituir um tribunal racial. Racismo às avessas tem sido a média dos argumentos contrários e, muito desses argumentos sustentados por aqueles que ao longo de todo esse tempo não levantaram uma palha qualquer para pensar, apresentar propostas sérias e honestas para sua solução, sob a justificativa de que as coisas são e sempre foram assim para o bem geral da nação.

Tem sido assim, nos últimos 118 anos desde a abolição da escravatura. Somente foi diferente, durante os 350 anos da escravidão. O fato é que chegou a hora da construção. O tempo não cura fratura exposta e nem as maravilhas do novo mundo serão capazes de deitar por terra providências estruturais que são os pilares onde se assentam a grande construção nacional.

Será preciso muito mais! Muito mais empenho, muito mais disposição, muito mais vontade, muito mais trabalho, muito mais honestidade, muito mais sinceridade e, especialmente, muito mais capacidade de criação e realização para construção da nova fisionomia para o novo tempo, de um povo e um país marcado pela desigualdade e pela discriminação racial contra os negros, metade da população do país.

O novo mundo exige de todos os povos que realizem sua lição de casa, suficiente para promover coesão, a união e a extensão a todos seus partícipes dos valores humanitários e sociais.

O Brasil precisará escolher o caminho a seguir: manter intocado o privilégio de poucos, colocar-se de costas ao profundo descolamento e a ruptura do seu tecido social, fazer ouvidos moucos a vozes roucas do subterrâneo, assistir inerte e indiferente a formação de tsunamis embalados pelo abandono, pela descrença, pela falta de perspectiva e pela confirmação do determinismo deliberado da sua subalternidade social, que levará todos ao precipício.

Igualdade de oportunidades e participação na vida nacional asseguradas por ações e medidas efetivas, objetivas e eficazes que permitam fundir os dois brasis e, definitivamente, debelar de uma vez por todas a grande chaga que sempre corroeu a possibilidade da felicidade geral da nação e de todos os seus filhos, que reconstruirá o respeito à pessoa humana, indiferente da cor da sua pele e a união de uma nação dividida entre muitos que sempre tiveram tudo e o negro brasileiro que nunca teve nada.•

Publicado por Paulo Nunes, de José Vicente, presidente da Afrobras e reitor da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares- www.afrobras.org.br, às 19:19.
deixe seu comentário


26 Janeiro de 2007
O PLANO

Li o documento oficial que o governo publicou sobre um plano para alavancar o crescimento do Brasil. Gostei muito de um trecho:
 
"Nada mais equivocado do que pensar que [...] para promover o desenvolvimento teríamos de aumentar o déficit fiscal. Não o estamos aumentando, porque mobilizamos recursos da sociedade. [...] que o controle da inflação e a execução de projetos seriam feitos em detrimento do social, quando, na verdade, está ocorrendo o oposto. Isso é visível, por exemplo, na área de saúde. Basta olhar os índices de queda da mortalidade infantil. Na área de educação, estamos nos preparando para tirar todas as crianças da rua e para lhes garantir acesso às escolas. Enfim, estamos redesenhando o País. [...] Enfrentar os problemas estruturais e sociais do País com ações gerenciadas, em parceria com a iniciativa privada e com garantia efetiva de investimento. Esse é o princípio básico do Programa...".

Propostas que causam impacto nas áreas da saúde, habitação, saneamento, emprego, água, turismo, agricultura, educação, comunicações, transportes e energia! Tudo que queríamos ouvir! E - detalhe - assisti junto com um pequeno grupo a apresentação do plano em alto estilo, pelo Vice Presidente da República, em seu gabinete! Eu estava em Brasília coordenando o lançamento de um projeto cultural da empresa em que trabalho - a Dana. Aproveitei a presença no Brasil de dirigentes da empresa e organizei as agendas combinando a inauguração do evento com uma visita de cortesia ao Vice Presidente da República.

Ao final da reunião, ele nos levou para um canto onde havia um mapa do Brasil, cheio de indicações relacionadas ao tal plano. E foi nos explicando, entusiasmado, cada um dos projetos para reduzir custos na economia, propiciar o aumento da competitividade do setor produtivo e melhorar a qualidade de vida da população. Bem impressionados, concluímos que, se executado, o plano proporcionaria um salto imenso em direção ao futuro. Parabenizamos o Vice Presidente. Embora a oposição sustentasse que tudo não passava de jogada eleitoreira para a reeleição, era a primeira vez que eu via uma proposta tão ambiciosa, envolvendo vários ministérios, o núcleo do governo e a iniciativa privada. E havia uma sincera vontade de fazer acontecer. Saí de lá contente, esperançoso.

- Agora o Brasil vai!

Mas também saí com uma preocupação: temos capacidade para pôr em prática? Nada acontece, como magia, só porque o Presidente diz que vai acontecer, a imprensa publica e todo mundo fica na expectativa.

Planejamento, reuniões e relatórios não podem ser confundidos com ação. E não me refiro a dinheiro, mas à capacidade de execução. Não existe milagre. Sem acompanhamento para assegurar que o que é dito é feito, e sem a eliminação dos que remam contra, por interesses e ignorância, tudo se transforma num caldo de conchavos políticos. Fico tenso...

Um plano dessa magnitude não pode ser realizado por gente pequena. Gente concentrada nas picuinhas. Gente contaminada por ideologias. Um plano como esse exige grandes homens e mulheres. Grandes demonstrações de generosidade. Fui dormir feliz com o plano, mas apreensivo.

Pois bem... Tudo que escrevi acima aconteceu em 1997, quando lancei em Brasília o projeto - Lampião - Uma Viagem pelo Cangaço. O trecho que mencionei faz parte de um documento oficial do Planalto, que você encontra em www.planalto.gov.br. O Vice Presidente era Marco Maciel e o plano que nos foi apresentado era o "Brasil em Ação", que agrupava 42 ações: 16 na área social e 26 na área de infra-estrutura. Muito do que estava no plano foi feito, mas no caminho teve reeleição, crise asiática e russa, desvalorização da moeda e mais um monte de problemas. E o plano simplesmente desapareceu. Ou foi esquecido. Dez anos se passaram. E agora é a vez do PAC - Plano de Aceleração do Crescimento. Tô com uma sensação de "já vi esse filme"... E medo de que a discussão fique restrita ao conteúdo, enquanto continuamos sem capacidade de execução.

Tomara que a história não se repita em ciclos.•

Publicado por Paulo Nunes, de Luciano Pires, às 08:44.


DESTAQUE: Entenda o processo de cassação contra o prefeito José Raimundo

Façamos o seguinte raciocínio:

“O Prefeito deveria ter feito o quê? Descumprido o convênio celebrado e não ter iniciado a obra? Devolvido o dinheiro? Deveria ter prejudicado toda a cidade, que há anos esperava pela obra Rio-Bahia, atrasada inclusive pela politicagem de seus adversários?”

Resposta: CLIQUE AQUI.•

[FOTO: J. C. D'ALMEIDA] Publicado por Paulo Nunes, às 00:01.


10 Janeiro de 2007
Para onde caminha o Mercado Farmacêutico?

Carlos Drummond de Andrade nasceu em 1902, na cidade mineira de Itabira. Sem dúvida alguma, foi o maior poeta que o Brasil já teve. Escreveu primorosos poemas como, por exemplo, “No meio do Caminho”, que fala incessantemente de uma pedra que estava no meio do caminho. Você certamente está se perguntando o que Carlos Drummond de Andrade tem a ver com o Mercado Farmacêutico, por quê é citado numa publicação com o conteúdo voltado para o canal farma.

Eu explico: Primeiro, por que o poeta diplomou-se em farmácia nos idos de 1925, profissão pela qual demonstrou pouco interesse; e segundo por que seus poemas têm tudo a ver com o momento que vivemos atualmente no nosso varejo. A começar pela pedra que estava no meio do caminho, muitos empresários encontram-se com uma enorme pedra no meio do caminho e precisam removê-la. Muitos hão de se perguntar: Que pedra é essa? Pois bem, eu diria que não é uma única pedra, são várias:

- A inexistência de produtos de alto custo em nossas lojas, fazendo com que as Indústrias privilegiem os Deliveries no direcionamento das receitas médicas;

- As trocas de medicamentos em desacordo com a Lei 7991/99, pois sabidamente muitas das farmácias efetuam as substituições por produtos similares, quando a lei permite a troca apenas por genéricos;

- O sistema de remuneração dos atendentes adotado por grande parte das farmácias, que privilegia uma categoria de produtos e acaba interferindo na tomada de decisão das Indústrias, que fazem propaganda médica ao elegerem seus parceiros de varejo, pois se a remuneração do atendente depende da troca, fica evidente que ele tem o poder da gestão e isso não interessa ao nosso cliente “Indústria”, que buscará parceiros cuja formalidade é maior, ou seja, aquele que efetivará junto ao paciente o produto escolhido pelo prescritor.

Se formos enumerar as pedras que temos pelo caminho não bastaria o espaço de um artigo e sim de uma revista toda, mas indubitavelmente a maior pedra encontrada é a que estamos vivendo na prática, que é o movimento de operação logística adotado pelas maiores Indústrias Farmacêuticas, sobretudo as multinacionais.

Esse movimento, iniciado há cerca de dois anos, já é uma realidade sem volta. As indústrias estão trabalhando um painel bastante reduzido de farmácias, com o intuito de buscar um relacionamento efetivo com cerca de 13 mil PDV’s que atendem por 75% da demanda de medicamentos no País, segundo dados do IMS Health (instituto que audita o mercado). Algumas farmacêuticas atuam com um painel ainda menor. 

E, por que essa é a maior pedra? Porque as farmácias que estão ficando de fora desses programas perdem competitividade no mercado. E o principal objetivo das Indústrias é resgatar a gestão comercial do canal, ou seja, as farmácias participantes recebem descontos e serviços que as demais não irão receber, até porque esses descontos não são e não serão oferecidos apenas pelo poder econômico de determinados estabelecimentos, como ocorreu até hoje na relação com os Distribuidores. Esse desconto é, na verdade, uma maneira que as Indústrias encontraram para remunerar o serviço prestado.

Ao voltarmos à literatura de Drummond, lembrei-me do célebre “José”, que discorre o seguinte:

"E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, Você?

Você que é sem nome, que zomba dos outros, Você que faz versos, que ama, protesta? E agora, José?

Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e  tudo mofou. E agora, José?

E agora, José? sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio, e agora?

Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora? Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse...

Mas você não morre, você é duro, José!

Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja do galope, você marcha, José!

José, para onde?"

Diante do texto de Carlos Drummond de Andrade eu hei de perguntar: E agora José? E agora você?

A festa acabou. Será que trocar os medicamentos de receita médica foi uma boa estratégia?

O povo sumiu. Será que é por que as Indústrias estão direcionando os pacientes para comprarem em outros estabelecimentos?

Você que é sem nome. Será que você não é conhecido e nem reconhecido por aqueles que representam mais de 50% de tudo que se consome em medicamentos no Brasil?

Você que zomba dos outros. Será que você estava certo, quando dizia “Agora que eles precisam de mim, eu vou me vingar”.

Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora?

Você, empresário que sabe que muitos caminhos poderiam ter sido diferentes e que certamente muitas pedras poderiam ter sido evitadas, sabia também que o poema “José” termina com um fio de esperança para todos nós, que queremos e sabemos que ainda é tempo de mudar, pois como disse o poeta:

Mas você não morre, você é duro, José!

Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja do galope, você marcha, José!

Só não faça como o poeta que demonstrou pouco interesse pela sua profissão de farmacêutico, até porque poucos, mas muito poucos mesmo, conseguirão viver de poemas.•

Publicado por Paulo Nunes, de Edison Tamascia que preside a Rede de Farmácias Farmavip (de Limeira e região, no interior do estado de SP) e as federações Faesp (SP)e Febrafar (BRASIL), às 01:38.


08 de Janeiro de 2007
Rio São Francisco: A transposição já começou

[EcoDebate] As ultimas noticias sobre o projeto de transposição em que o STF (Supremo Tribunal Federal) suspende as liminares jurídicas que impediam o inicio das obras deixou a todos atônitos, por ser uma decisão fundamentada em argumentos que estão na contra mão da legislação ambiental ao mesmo tempo em que despreza os conflitos federativos existentes, demonstrando uma decisão estritamente política. Mas, não por isso essa postura já era de se esperar! Por que as abras da transposição de forma arbitraria já começou faz tempo. Sem nunca ter parado e sem nunca ter desistido da obra, o governo deixou sempre muito claro que está "convencido da decisão de fazê-la", ninguém ainda, o convenceu do contrário. As investidas do governo mesmo depois da greve de fome do Frei Luiz Cappio são demonstrações que sobram dos desmandos, cheios de enroladas institucionais, maquiando um diálogo que nunca existiu com a sociedade.

Inúmeras vezes já denunciadas pela população ribeirinha, sobretudo dos que moram nos limites das tomadas d'água tanto os que se colocam contra ou mesmo a afavor, publicaram que não existe um canteiro de obra, existem vários canteiros de obras.  Primeiro, a ação do Exército nos eixos com o trabalho topográfico, depois a ação do DNOCS na recuperação da barragem de Poço da Cruz em Ibimirim-PE e Poço Branco-RN, a ação do INCRA no levantamento de terras para desapropriação eixo leste dos canais,... E não é para reforma agrária não!!! A ação do Ministério da Integração no aliciamento de trabalhadores em troca de emprego, a quase conclusão da transposição do eixo de integração do açude Fogareiro com a bacia do Rio Quixeramobim/Jaguaribe/Pirabibu no Ceará. Os inúmeros consórcios de prefeitos e governadores pra ganhar um "bracinho" da obra pra cá e pra lá, a exemplo da Região do Pajeú, Araripe e Moxotó em Pernambuco/Paraíba e ainda, a assinatura de inúmeros acordos entre políticos locais e o Ministério da Integração pra garantir que todos tenham um "pedaço do bolo". Tudo isso, ação preparatória para receber tão somente os canais. O resto, legal ou ilegalmente vem sendo feito com muita eficiência.

O Ministério da Integração, assim como outros órgãos do governo continuam agindo de forma sorrateira, matreira, pelas caladas, embora agora, escancarado... Ciro Gomes à frente, sempre jogou claro: "a transposição sai", afirmava o tempo todo. E nos iludíamos achando que o dialogo entre a sociedade e o governo estava estabelecido. A luta contra a transposição não nos parece ainda uma luta nacional, embora muitas iniciativas importantes estejam acontecendo. A greve de fome do Frei Luiz teve importância impar na imprecação do problema tanto nacional como internacionalmente, mas, não suficiente, exigindo de nós a continuação de iniciativas diversas com uma sincronicidade organizativa e mobilizativa (que ainda não dispomos) para enfrentar com êxito e com posição clara o problema.

A manipulação da institucionalidade democrática por parte do governo à revelia de um povo mal ouvido e menosprezado, que esse governo "popular" vem consumando em seus planos subservientes de poder, não pode nos pautar. Mas o contrário, a força das populações que historicamente faz luta no São Francisco, a exemplo dos povos indígenas, pescadores, quilombolas, vazanteiros, organizações e instituições populares e tantos outros sugere e inspira o fortalecimento das diversas iniciativas enquanto processo de sujeitos coletivos. Dificilmente conseguiremos estabelecimento de pactos consensuados entre governo e sociedade se não estiver ligado à pressão popular. Para tanto, cada um com seu papel nos desafia a necessidade de maior publicação do Projeto de Convivência com o Semi-Árido, as propostas do Projeto de Revitalização já construída a partir das populações e seus territórios. A articulação simultânea do povo da bacia deverá nos ajudar a repensar nosso papel. É chegada à hora, do povo que faz luta na bacia pautar o governo e a sociedade em geral com luta seqüencial e chegar a Brasília numa grande mobilização nacional. 

Em Defesa do Rio, Povo na Rua Outra Vez!.

Publicado por Paulo Nunes, de Alzení Tomáz [CPP NE Baixo São Francisco "São Francisco Vivo: Terra e Água, Rio e Povo!"] , às 23:47.

deixe seu comentário


31 de Dezembro de 2006
Megawats na comunicação

A indicar o engenheiro eletricista, Robinson Almeida, para a Agência de Comunicação - Agecom - o governador Jaques Wagner (PT) promoveu uma inovação que até agora o mercado dessa área ainda não entendeu. Comentam-se, nos bastidores, que diante da recusa do deputado Emiliano José (jornalista por profissão) na véspera do anúncio da primeira lista dos ungidos para o primeiro escalão teria ocasionado uma pororoca e, no refluir das águas, na correlação e equilíbrio das forças internas do PT, o deputado Walter Pinheiro, emplacou Almeida. Nunca se sabe exatamente o que se passa nessas ocasiões, mas o certo é que a Agecom, tradicionalmente dirigida por um profissional do segmento comunicação - jornalista, publicitário, radialista, etc - terá a coordenação de um estranho ao ninho no mercado. Óbvio que o governador eleito tem todo direito de escolher quem bem entenda, pois, não se exige diploma para qualquer dos postos de primeiro, segundo ou terceiro escalão.

  Na República, o presidente FHC inovou ao colocar o economista José Serra na pasta da Saúde e este se saiu muito bem. Aqui na Bahia, o governador Lomanto Júnior (1963/1966) pôs Jorge Calmon, então jornalista de A Tarde, hoje emérito, como secretário do Interior. O presidente Lula da Silva tinha uma estrutura comandada pelo administrador e ex-presidente do Sindicato dos Bancários de SP, Luis Gushinken, no comando da Secretaria de Comunicação, e mais o jornalista Ricardo Kotscho, na secretaria de imprensa, e André Singer, como porta-voz.

  É provável que Wagner adote um modelo dessa natureza nomeando um porta-voz e um assessor de imprensa, deixando para Almeida a tarefa de formular e cuidar da política de comunicação na sua forma mais ampla. Não há notícia, no entanto, de que na reforma administrativa a ser encaminhada pelo PT à AL, a Agecom retorne o status de Secretaria de Comunicação, como aconteceu no governo Roberto Santos (1976/79), com orçamento próprio e objetivo bem definido.

  O que sabemos é que a Comunicação, importante segmento do governo, tem sido considerAE??,?N?ada ao longo dos últimos anos uma espécie de vilã, bode expiatório, bode preto ou coisa do gênero, na medida em que se critica ferozmente gastos na mídia institucional e na venda do produto Bahia, como se alguém pudesse fazer esse tipo de operação sem o uso dos meios de comunicação de massa - rádio e televisão. Na última campanha eleitoral, esse foi um dos pratos cheios do programa do candidato do PT.

  E agora, o que fará Wagner no governo? O novo chefe da Agecom, em entrevista a esta Tribuna da Bahia afirmou que "os gastos com propaganda não serão maiores do que os gastos no programa que está sendo feito para divulgação". Confesso que não entendi. E, mesmo que me esforçasse para entender é impossível fazer uma correlação dos gastos com a venda do produto Bahia (a promoção no Brasil e no exterior) e a divulgação que é gratuita e reserva-se a um esforço pessoal do governador e de sua equipe.

  Estima-se que o governo movimente uma verba em torno de R$60 a R$80 milhões/ano na conta Comunicação, com rubricas da Agecom, Cesta do Povo, Bahiatursa e outros. Só a Bahiatursa investe em torno de R$30 milhões/ano e isso é absolutamente normal, embora, para os olhos de alguns petistas na oposição ao governador Paulo Souto, seja considerado um absurdo. Há, inclusive, quem faça comparativo dizendo que esse dinheiro seria mais útil se utilizado para fazer casas populares como se uma coisa tivesse a ver com a outra.

  Enquanto a Comunicação não for entendida como uma rubrica igual à Saúde, Educação, Transporte, dá nesse tipo de análise esdrúxula. Daí que torci muito para que o chefe da Agecom fosse o deputado Emiliano José, mestre na arte de ser estilingue, jornalista por profissão, para que ele sentisse o gosto de dirigir alguma coisa e ser vidraça. Mas, infelizmente, ele teria pulado fora do barco alegando, como saiu na imprensa, que vai cuidar de sua vida política.

  Ainda assim restou-lhe a oportunidade de como professor da área de Comunicação explicar aos seus alunos como Wagner escolheu um engenheiro eletricista para ser o cAE??,?N?hefe da Agecom. É um bom case. Quem também está devendo uma explicação ou uma palavrinha de alento que seja aos coleguinhas jornalistas e publicitários são o Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia, o Sinjorba; a Associação Bahiana de Imprensa (ABI), e a Associação Baiana das Agências de Publicidade (Abap). Esse é um tema interessante a ser abordado e as entidades têm, assim, uma boa oportunidade para se manifestarem.

Publicado por Paulo Nunes, de Tasso Franco é jornalista, às 16:32.

deixe seu comentário


27 de Dezembro de 2006
Qual É Seu Dom Singular?

O que você sabe fazer de melhor? Qual o seu grande diferencial no mercado de trabalho?

Pode acreditar: você tem algo especial! Um talento todo seu, a espera de ser descoberto, se é que já não o descobriu.

A palavra dom tem origem latina - donu - cujo significado é “presente, dádiva, dotes naturais, aptidão”.

Pode ter a certeza que o Criador não esqueceu de lhe dar alguns donus para garantir o certificado de genuidade em cada obra celestial, aliás, a palavra genuíno que também tem origem latina – genuinu - significa “puro, natural, legítimo, sem mistura nem alteração”, mas chega de pesquisas latinas, pelo menos por este artigo.  

Os dons de uma pessoa ficam mais claros quando estão ligados as artes, música ou esportes, mas na maluca aldeia organizacional também podemos desenvolver e tirar o máximo de proveito daquilo que nos torna únicos, excelentes e genuinus.

Como descobrir e aprimorar o que cada um tem de melhor? Veja algumas dicas:

Autoconhecimento. Eu até tentei, mas não consegui fugir. O melhor caminho é a velha e atualíssima frase: “Conheça-te a ti mesmo!” Mas, como a grande maioria tem problemas com reflexões filosóficas sugiro que você faça uma pequena, simples e bem prática pesquisa sobre si mesmo. Pergunte a algumas pessoas de sua confiança o que elas pensam da sua atuação profissional, se é bom conviver e trabalhar com você, o que você representa na vida delas, quais seus pontos positivos e aqueles que você pode e deve desenvolver. Sugiro que você seja mais pró-ativo e vá até seu chefe e clientes internos e peça um feedback. Ouça com atenção e disposição, pois você receberá presentes maravilhosos. Escolha três ou quatro pessoas, não mais do que isso, não é para fazer um carnaval e sair perguntando para todo mundo, mas sim um pequeno mergulho na relação autopercepção X percepção alheia.

Aperfeiçoe. Tudo pode ser melhorado continuamente. Produtos, processos, relacionamentos e, é claro, sua personalidade. Descoberto o que você faz de melhor, dentro daquilo que você e os outros percebem, podemos partir para a segunda fase. Melhorar, aumentar sua autoconfiança, inovar para tornar mais perceptível os seus donus genuinus. Tenha modelos, escolha pessoas que você admira e procure descobrir um pouco mais sobre a vida delas, sua forma de atuação profissional, a história de sua carreira. Não tente imitar, mas sim se inspirar. É um grave erro querer imitar e tentar fazer tudo igual, cada um é único, e todo processo tem variáveis diferentes. Acima de tudo seja você mesmo e aceite seus limites. Não tente se transformar naquilo que você não é. Procure mudar seus hábitos aos poucos, tenha foco, estude mais e se for necessário procure a ajuda de um mentor ou coach. Lembre-se que tudo tem a hora certa para acontecer, a velocidade dos acontecimentos infelizmente não obedece a nossa vontade. 

Não bitole. Aqui a dica é bem simples. Não fique o tempo todo investindo somente no que você tem de melhor, porque apesar de muito importante a sua vida e carreira não pode ser toda baseada em algumas características. Tenha interesse em aprender e desenvolver outros dons que podem estar aí dentro, escondidinhos, loucos para serem descobertos e fazer uma grande revolução em sua carreira. São muitas as pessoas que conhecemos que descobriram ser excelentes negociadores, líderes, profissionais de vendas ou empreendedores após uma certa idade, normalmente, quando o preconceito começa a bater a sua porta. Nunca é tarde para mudar e aprender! Abra a sua cabeça para novos empreendimentos e experiências, novos relacionamentos, hobbies, atividades de lazer, culturais ou religiosas, enfim, encontre uma nova visão do mundo.

A idade pode ser um grande aliado no desenvolvimento e na descoberta de seus dons singulares, não pense que tudo tem de acontecer logo na juventude, como a ascensão na carreira, o melhor emprego, a realização de todos os seus sonhos. Quanto mais cedo esta descoberta acontecer, melhor, mas a inteligência emocional é desenvolvida por meio de experiências no decorrer da vida.

A melhor fruta é aquela que está madura, dela você extrai o melhor sabor, o melhor suco, o mais gostoso caldo. Esta metáfora serve para você leitor, ou seja, se você ainda não encontrou o seu dom singular continue na busca, não desista, porque é apostando e desenvolvendo a sua maturidade que você vai encontrar qual é o sentido da sua vida, qual é sua missão, seu propósito neste planeta, palavra esta que também tem origem latina – propositu - que quer dizer “desígnio, intento, projeto, em ocasião própria, no momento oportuno”. É, eu sei que prometi não citar mais origem de palavras latinas, mas não resisti – quem sabe não seja um dom?

Publicado por Paulo Nunes, às 00:46. De Paulo Araújo é palestrante e escritor. Autor de Motivação - Hoje e Sempre (editora Qualitymark), entre outros livros. Site: www.pauloaraujo.com.br.

deixe seu comentário


27 de Dezembro de 2006
A Nova Competitividade

A busca frenética por maior competitividade é uma luta neurótica por parte de muitos profissionais. O sujeito acorda, come e dorme pensando em como melhorar os resultados da sua empresa e ainda sonha em estar atingindo ou extrapolando suas metas.

É certo que não basta mais ser competitivo somente pelo método usual, ou seja, pelo tripé preço, qualidade/tecnologia e serviços. Esses três itens não perderam sua importância e relevância e a competitividade usual é extremamente importante sendo à base de sobrevivência de qualquer negócio.

O que gera crescimento sustentável e a longevidade da sua empresa está ligado ao que chamo de nova competitividade, ou seja, um novo padrão de excelência, crenças, postura e principalmente comportamentos, onde as lideranças devem ser o maior exemplo.

Vejamos alguns pontos da nova competitividade e como isso ajuda na sua organização e sua carreira.

Gestão do capital intelectual. O tema é atual, a teoria esplêndida, mas a prática deixa muito a desejar. Como gerir o capital intelectual de uma empresa onde muitas delas ainda não conseguem nem sequer manter os dados atualizados de seus clientes? Lembro que o capital intelectual também inclui fornecedores, parceiros, clientes e comunidade. Quantos profissionais com curso superior ainda estão em funções rotineiras? Ou quantos estudam a vida inteira uma nova língua e nunca a praticam? A questão, o maior desafio é organizar o capital intelectual e criar novos fatos, deixar a criatividade fluir, dar mais espaço para novos projetos e talentos valorizando quem os sugeriu e negociando a sua implantação.

Gestão do equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Sim, gestão! Enquanto as empresas ficarem somente no discurso de que é preciso maior qualidade de vida, os resultados continuarão os mesmos: pessoas estressadas, esgotadas, alta rotatividade e altos custos com planos de saúde. É tudo o que ninguém quer! A nova competitividade está baseada no talento humano, no conhecimento, na inovação e criatividade, mas tenho a impressão que a maioria das empresas prefere matar a galinha dos ovos de ouro – a saúde de seus profissionais e seus relacionamentos amorosos e familiares. As empresas devem investir na qualidade do trabalho e não apenas nas horas trabalhadas; e o governo não pode continuar atrasando a reforma trabalhista necessária para flexibilizar a relação capital - trabalho. Tenha a certeza de que vale a pena implantar programas de qualidade de vida para seus colaboradores.

Investir na cidadania. Só seremos um país de primeiro mundo quando tivermos um povo de primeiro mundo. O governo não faz, ou faz muito pouco e mau feito, então não tem jeito. Esse papel terá de ser cumprido pelas empresas. Não me parece justo, mas não vejo outra solução mais efetiva, pelo menos a curto prazo. Interagir com a comunidade, contribuir para o desenvolvimento de bons valores, ética e educação é sempre um investimento de longo prazo, mas com retorno garantido. Afinal são as pessoas que formamos hoje que serão nossos consumidores e diferencial competitivo no futuro. Proporcionar acesso a atividades culturais e esportivas formam um maior senso crítico e são a base de qualquer país de primeiro mundo.

A nova competitividade está, na minha opinião, baseada nos pontos  acima, e sei que é um caminho longo, árduo, mas cheio de desafios e recompensas.

Pois como diria o publicitário Nizan Guanaes: “Pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si".

Publicado por Paulo Nunes, às 00:44. De Paulo Araújo, é palestrante e escritor. Autor de Motivação - Hoje e Sempre (editora Qualitymark), entre outros livros. Site: www.pauloaraujo.com.br Tel p/ contato – (41) 3267 6761 - Curitiba - PR.

deixe seu comentário


18 de Dezembro de 2006
A mídia e as máscaras da História

"As idéias podem organizar os fatos, ajudar a entendê-los, emprestar-lhes a força dos argumentos, mas não podem substituí-los. Os fatos caminham à frente das idéias.

**

Reconhecer essa hierarquia ajuda a entender o horizonte enevoado do nosso tempo. Faltam-lhe marcadores históricos suficientemente fortes para filtrar conceitos, superar ambigüidades e desnudar conveniências que balizam desde discursos políticos a narrativas supostamente "neutras" da mídia. O conjunto forma essa babel de autismo social flagrada por Bernardo Kucinski em seu recente artigo em CM, "A Babel é aqui".

**

O que ele ressalta é a miséria da política e do jornalismo. Nas condições atuais de subordinação absoluta à lógica dos mercados, a grande imprensa não poderia estar a salvo dessas conseqüências, sendo ela um dos instrumentos ativos das suas causas.

Guardadas exceções de praxe, a grande imprensa tem sido pródiga em mascarar, muito mais do que em decifrar os acertos e mesmo os erros do governo Lula, que ela distorce ao trocar a investigação pela lente rudimentar do maniqueísmo. As distorções não se refletem apenas no ambiente da grande imprensa. Esparramam-se também por veículos de natureza pública quando estes, olimpicamente, declinam por exemplo de incluir a mídia na pauta, omitindo-se diante de um protagonista-chave para compreender a natureza e a extensão dos conflitos em andamento. A verdadeira lealdade ao leitor consiste em oferecer-lhe nossas coordenadas. O mirante das nossas idéias. Sobre elas repousa nosso olhar. Ao pretender oferecer-lhe fatos limpos sem a "mácula" da interpretação, da opinião ou da análise-crítica o que se faz é mascarar mais do que revelar.

**

Somos todos filhos da História. Disso nem Marx escapou. O inspirador do comunismo só se tornou comunista de fato depois da Comuna de Paris. Embora tenha escrito o Manifesto antes dela, foi a partir da experiência prática da revolução de 1871/72 que socialistas como ele, e muitos libertários sinceros, entenderam a necessidade de disputar o poder de Estado para consolidar uma nova hegemonia social. Suas idéias plasmaram-se assim aos fatos e vice-versa. Desse entroncamento nasceu a certeza de que as idéias pertencem ao mundo através da ação.

**

"As circunstâncias fazem o homem, na mesma medida em que este faz as circunstâncias". Ao menos este minúsculo legado marxista poderia figurar num canto discreto do monitor, à esquerda da tela onde jornalistas transcrevem diariamente sua coleta de informações. A confrontação cotidiana entre o enunciado e o que anunciam talvez ajudasse a concluir que, a rigor, a consciência do mundo só se completa no enlace com o próprio mundo. Não há observador neutro. Nas relações humanas não há conhecimento dissociado de envolvimento social. "Não foi a Internacional que levou os operários à greve; foram as greves que levaram os operários à Internacional", respondeu Marx à imprensa burguesa que o acusava de manipular e incutir "idéias" totalitárias na cabeça dos trabalhadores. Isso, em 1864. Como se vê, a coisa vem de longe. E os acontecimentos mais recentes não ajudaram a dissipá-la.

**

O Muro de Berlim durou 28 anos. Caiu há exatos 17. Foi o marcador histórico de uma ruína bem maior que os seus 66,5 quilômetros de extensão, cujo desabar silencioso começou muito antes da noite de 9 de novembro de 1989. Ainda hoje tateamos por entre os escombros visíveis e a poeira renitente dessa pilha desordenada de contingências e escolhas, buscas e desencontros que marcaram a trajetória da esquerda no século XX. A melancolia apenas confirma que só se supera aquilo que se substitui. Ainda não substituímos.

**

Os anos 90 foram pródigos em avanços com a multiplicação de agendas e um ativismo social jamais visto em escala planetária . Mas não a ponto de emitir um novo marcador suficientemente forte para entrelaçar teoria e prática, renovar radicalmente nosso olhar, as formas de viver e de produzir.

**

O filósofo Istvan Meszáros aponta o dedo da esperança para a América Latina. É aqui, diz ele. Aqui se esboça o passo seguinte da história. Nos últimos anos o continente rangeu sob o peso de milhões e milhões de passos que levaram incessantemente às urnas e às ruas aspirações históricas para as quais o mercado nunca deu respostas satisfatórias, mas cujos contornos definitivos também se diluem nas feições misturadas de Lula, Morales, Chávez, Correa, Kirchner etc.

O lugar todavia é esse. Na América Latina, diz Meszáros, a História se mexe com maior rapidez. Maior talvez do que em qualquer outra parte do mundo. E de forma profundamente enraizada aos movimentos sociais, acumulando a energia de um novo amálgama capaz de aglutinar fatos e idéias, teoria e prática, excluídos e seus direitos.

**

Até para que isso aconteça é essencial não perder a capacidade crítica diante de oportunidades pedagógicas de confrontar conceitos e realidade e assim depurar essa travessia, acelerando-a. É preciso estar atento e forte, os clarões às vezes iluminam onde menos se espera, em detalhes aparentemente secundários e situações improváveis. Um conceito muito difundido hoje tanto na mídia quanto no mercado é o de "responsabilidade social". É um primo-irmão de outros enunciados de higidez igualmente insuspeita, como "objetividade" jornalística, por exemplo. Mas a fricção entre ele e a Souza Cruz, a gigante do tabaco, acaba de produzir uma chispa de luz desconcertante no nevoeiro conceitual em que vivemos.

**

O cenário sugestivo é o Conselho da Bolsa de Valores de São Paulo, encarregado de selecionar companhias para o seu Índice de Sustentabilidade Empresarial, o ISE. Desse promontório improvável se pode enxergar a ambigüidade de uma dessas referências reluzentes como aço, mas de consistência pastosa quanto a sua dissolvente abrangência da realidade.

**

Se apenas ações de empresas "socialmente responsáveis" devem figurar no ISE , por que um fabricante de tabaco que já vendeu 58,1 bilhões de cigarros aos fumantes brasileiros só este ano, deveria espetar seu logotipo em vitrine tão vistosa?

**

O consenso científico sobre os malefícios do cigarro é esmagador. Apenas o lucro justifica que se continue a fabricar algo capaz de injetar 4.720 substâncias tóxicas no organismo humano, sendo 80 delas cancerígenas. Anualmente o vício do tabaco mata 3,5 milhões de pessoas no mundo. Cem mil no Brasil. Morrem mais pessoas no trânsito, é certo, mas diferentemente do automóvel cujo encontro com a morte é acidental, o cigarro tem com ela um contrato comercial inquebrantável. A nicotina seduz o metabolismo e o leva à dependência escravizante, enquanto isso, o alcatrão inicia formação dos tumores. O conjunto é responsável por 30% das mortes por câncer em todo o planeta nas suas mais angustiantes versões e percentagens: 90% das mortes por câncer no pulmão, por exemplo; 50% dos casos de câncer de pele.

**

Diante de tão sinistro cabedal, em abril deste ano a ONG fundado por Betinho, o Ibase, retirou-se do conselho tutelar do ISE depois que a maioria dos membros recusou-se a excluir por antecipação empresas produtoras de armas, tabaco e bebida alcoólica. Outras organizações da sociedade civil permaneceram ali. Entre elas o Instituto Ethos de Responsabilidade Social, mas isso não as crucifica. Apenas reforça a dificuldade dos conceitos aderirem aos fatos e amplifica a angustiante peregrinação das boas intenções em meio ao nevoeiro de um tempo desprovido de balizas históricas mais firmes e claras.

**

A Souza Cruz adiciona duas baforadas respeitáveis a essa opacidade conceitual. Alega, por exemplo, que apóia 20 projetos sustentáveis de preservação ambiental e educação social. Em números, cifras vistosas. Algo como R$ 190 milhões em iniciativas próprias ou em parceria com organizações da sociedade civil. No quesito eficiência econômica, ademais, seu desempenho cintila com igual intensidade. A fabricante de cigarros figura como a melhor empresa do versátil setor de Alimentos, Bebidas e Fumo da lista das Maiores e Melhores Empresas da revista Exame, edição 2006. Nesse ranking cobiçado, reúne-se a nata do capitalismo brasileiro, 500 companhias com faturamento de US$ 577 bilhões no ano passado.

**

Este é um tempo em que a ambigüidade é rainha. Portanto é preciso cautela. A Souza Cruz, por exemplo, sequer nega os malefícios do tabaco. Mas declina olimpicamente das responsabilidades com a saúde humana em nome de um outro conceito muito bafejado entre os defensores do livre mercado. A exemplo de alguns jornalistas dotados da peculiar capacidade de oferecer fatos puros ao escrutínio da sociedade, a Souza Cruz escuda-se nas "escolhas racionais do consumidor" para defender sua liberdade de produzir e a dele, de comprar, ou não. Há controvérsias sobre a efetividade do auto-esclarecimento em relações de convivência dominadas pela lógica da mercadoria e da publicidade. Desconfia-se, ademais, que o cultivo do próprio umbigo talvez seja insuficiente para colher o bem-estar coletivo. Keynes, antes dele Montesquieu, para não repetir Marx, preferia ancorar a virtude da sociedade em instituições mais abrangentes do que a ponta do nariz de cada um de seus membros.

**

Basta esfarelar um pouco mais o cigarro para perceber o terreno movediço que muitas vezes se esconde no interior de alguns dos mais festejados conceitos da moda. Um estudo recente feito na Austrália evidenciou uma propensão três vezes maior ao vício entre adolescentes cujas mães fumaram regularmente durante a gravidez. Que espaço de livre arbítrio ou escolha racional (individual) subsiste então num mercado mediado pela soberania do lucro e dos interesses individuais? Ainda que a Souza Cruz de maneira socialmente responsável, no seu entender, alerte adolescentes para os malefícios do uso excessivo do tabaco, a verdade é que o efeito prático desse esclarecimento se esfuma no ar como as espirais de um cigarro. Ou como a suposta objetividade dos fatos-puros, sem análise, sem crítica e sem interpretação que alguns apregoam como exemplo de bom jornalismo, um jornalismo regido pelo "interesse público" da "sociedade civil".

**

O impasse em torno do Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa condensa em ponto pequeno essa enorme confusão embutida em conceitos que se desmancham ao menor contato com o ar corrosivo das especificidades históricas de nossa época. Contornar conflitos em solventes como esse de "responsabilidade social", "informação objetiva" e mesmo a panacéia da "sociedade civil", tratada como se o capitalismo fosse apenas um pedaço dela e não ela um pedaço dele, reconforta diante dos escombros e das pressões que nos cercam. Mas não ajuda a tirar as máscaras da movediça realidade que nos envolve.

**

A sociedade civil não é um substrato passivo do sistema econômico. Diversas instituições dentro dela expressam conflitos e tensões figurando como estacas valiosas de conquistas sociais e democráticas acumuladas na história. Outras são instrumentos de coerção que asseguram a integridade deste mesmo sistema e o fazem de forma violenta ou sibilina. Depende da ocasião. Às vezes depende do comportamento das pesquisas eleitorais. Foi o que vimos recentemente no Brasil quando o monopólio midiático alinhou-se esfericamente à tentativa de derrubar, derrotar ou inviabilizar o governo Lula. Foi derrotado de forma esmagadora. Mas não se conformou com o resultado das urnas e continua a lutar a batalha do dia anterior, comprometendo cada vez mais sua credibilidade. Uma pesquisa recente do Latinobarômetro mostra que os brasileiros confiam mais nos bombeiros (82%) do que nos jornais (44%), que dividem a laterninha da credibilidade com as Forças Armadas.

**

A expressão "sociedade civil", portanto, não abriga o oposto ontologicamente virtuoso do "Estado autoritário". Até porque este não é ontologicamente demoníaco. Basta que se tente encaixar essa polaridade neoliberal na Bolívia de Morales, por exemplo, para constatar a inadequação de sua abrangência histórica. Ou confrontá-la com o embate de Chávez na Venezuela, a resistir a uma mídia "independente" e golpista, aliada a uma parte da sociedade civil que não disfarça seu racismo autoritário. Ou ainda, caso recente, à imperativa necessidade de Rafael Correa, no Equador, de refundar fundamentos institucionais se quiser se preservar do ataque da "sociedade civil bananeira".

**

Embarcar em conceitos descarnados dos conflitos históricos de uma época presta-se a deslizes como o da Souza Cruz, que identifica liberdade com livre mercado e livre arbítrio com "escolhas racionais do consumidor". Deriva dessa mesma desidratação histórica a confusão entre democracia e livre empresa, que pode resvalar para um outro oxímoro ao associar "independência" e monopólio midiático, tendo como critério exclusivo de independência o desempenho dos departamentos de publicidade dos veículos comerciais. A melhor maneira de não sucumbir aos cifrões da democracia censitária, é procurar sempre dar conteúdo social aos conceitos que tentam compreender uma época e seus conflitos. Não resolve tudo, mas evita em grande parte reduzir a democracia a um lubrificante do mercado. E o jornalismo a um ventríloquo das narrativas dominantes, inclusive as que se declaram "socialmente responsáveis"."

Publicado por Paulo Nunes, de Flávio Aguiar - de São Paulo (Flávio Aguiar é editor-chefe da revista eletrônica Carta Maior), às 09:34
deixe seu comentário


15 de Dezembro de 2006
O dia em que Lula chorou... de novo! Ele não tem cura

"TANTAS EMOÇÕES - Lula chora durante a cerimônia de diplomação, entre Marco Aurélio de Mello, presidente do TSE e o vice-presidente, José Alencar.
Por ocasião da primeira diplomação, Lula chorou e disse que aquele era o seu primeiro diploma, justamente o de presidente da República. Quatro anos e muitos Waldomiros, mensalões, cartilhas e aloprados depois, ele recebe o diploma de pós-graduação. Também se pode ver a coisa por outro ângulo segundo ele próprio: o Apedeuta agora é repetente. Ganhou uma nova chance. E repetente também no choro. Naquela estranha língua em que ele fala, filosofou: "Esse segundo diploma não me permite ficar com a mesma emoção que estava naquela. Naquela, eu ainda tinha um sonho. Nesta, já sei que a responsabilidade do segundo mandato é infinitamente maior." Não entendi direito, mas acho que sei o que ele tentou dizer: "Eu achava que era fácil, mas agora estou vendo que é difícil".

Lula continua completamente equivocado sobre a razão por que é presidente da República. Ele se considera numa espécie de competição: "Agora, tenho que comparar o segundo mandato com meu primeiro mandato. Agora, é José Alencar e Lula contra José Alencar e Lula, em benefício do povo brasileiro".

E, para quem sabe que as palavras fazem sentido, mesmo as de Lula, lá estava a sugestão de que o pleito da oposição era ilegítimo: "Nesses momentos muito difíceis, o povo mais humilde... (volta a chorar) deu uma lição no Brasil. O povo mais humilde não precisou de intermediários para dizer o que deveria fazer no processo eleitoral. Ele tomou para si a responsabilidade de dizer alto e em bom som ´eu quero votar do jeito que sei votar: em José Alencar e Lula´. É por isso que a minha responsabilidade é muito grande." Lula não tem cura."

Publicado por Paulo Nunes, do Blog do Reinaldo Azevedo, às 15:30
deixe seu comentário


13 de Dezembro de 2006
Fascismos líquidos

É difícil imaginar o retorno absoluto do velho nazifascismo. Isto implicaria na existência de ideologias concretas e totalizantes capazes de convencer a muita gente de suas verdades e certezas e de condições históricas propícias. O nacionalismo belicista fascista, na sua integralidade, não é mais possível, bem como a defesa nua e crua da idéia do direito de algumas nações dominarem o mundo pela força de suas armas, invadindo e impondo suas leis. Quando assim procedem, precisam encontrar uma justificativa plausível e convencer a todos de que não havia outra alternativa. Não se pode mais apenas invadir em nome de uma teoria do espaço vital. Tem-se que apresentar provas, mesmo que falsas, que o inimigo é poderoso e capaz de causar danos graves à espécie.

Não há mais como reduzir a política a um só partido, que doutrina as consciências e impede a livre organização de sua oposição. Os preconceitos raciais, a xenofobia, a homofobia, o sexismo e o ódio à inteligência não podem mais ser claramente assumidos pelos Estados nacionais, sob pena do isolamento político e diplomático. Não há mais como, de modo nítido, condenar alguém por delito de opinião, sem criar um escândalo internacional. Não é que isto não possa ser feito. Mas o modus operandi é outro, bem mais sofisticado.

Dentre as formas mais recentes deste tipo de governo, registram-se as ditaduras militares latino-americanas, que já desapareceram na curva da história, apesar de parecer que foi ontem, tal o pesadelo. Estão cada vez mais longínquos os fatos terríveis da Segunda Grande Guerra. Ela já não é mais uma referência para as novas gerações. O franquismo e o salazarismo se desfizeram com o tempo. Infelizmente, foram duradouros - quase meio século - e podres, desde a origem. Os coronéis não dominam mais a Grécia. As marcas deste passado, por vezes bem recente, estão aí para quem quiser enxergá-las.

Os partidos políticos claramente fascistas não podem mais se apresentar deste modo. Os simpatizantes do mesmo credo foram obrigados a se reciclar, 'escondendo' suas origens. Alguns poucos, dos quais muitos são apenas ignorantes e idiotizados, continuam usando a suástica, comemorando o aniversário de Hitler etc. Outros se mantêm em silêncio ou se confessam para os mais íntimos, em círculos fechados. Usam dos mesmos signos, dizendo que estão falando de novas situações. No Brasil, não há quem tenha a coragem de se vestir de verde e proferir a saudação integralista: Anauê. Possivelmente, seriam confundidos com personagens do carnaval e, certamente, não seriam levados a sério. Os integralistas ainda vivos e seus sucessores defendem algumas das mesmas idéias de seus líderes, mas negam publicamente suas filiações.

Com imensa razão alguns, ao ler este texto, lembrarão do fascismo vermelho, do stalinismo e de outras doutrinas e práticas políticas que se assemelharam ao fascismo branco e ocidental. É verdadeiro que o chamado 'socialismo real' derivou em várias oportunidades para formas autoritárias de governo, bastante semelhantes ao nazifascismo. Tais concepções se irradiaram nos tecidos sociais de inúmeros países, deixando marcas indeléveis. Defender o fascismo vermelho, depois de tudo que se sabe sobre a história do Leste, é algo que só se pode creditar a algum tipo de religiosidade, ignorância ou má-fé.

O ideal democrático socialista terá que conviver com a 'mancha' dos crimes do stalinismo e de tantos outros casos ocorridos nos países que adotaram suas teorias e práticas. Para se diferenciar, sempre é bom lembrar desses fatos, jamais escondê-los ou negá-los. Entretanto, não se pode também esquecer que o fascismo branco fez muito mais vítimas e causou as maiores catástrofes histórico-sociais do século XX. A Segunda Grande Guerra, por exemplo, foi gestada no Eixo - Berlim, Roma e Tóquio. Os países liberais e a velha URSS tiveram que se defender da agressão externa. Em alguns dos países, onde o comunismo recentemente foi varrido, o fascismo branco ganhou um espaço imenso.

Hoje, existe, na maior parte dos países, liberdade de expressão nos moldes da 'democracia', tal como esta forma foi concebida pelos liberais da modernidade. O formalismo democrático garante a mitologia da equidade jurídica e da igualdade de oportunidades. O 'acidente' histórico do fascismo foi esquecido nos países que o viveram intensamente. Muitos alemães têm vergonha do seu passado. Em outros países, simplesmente se 'esqueceu' do ontem, apesar da teimosia de alguns de estar sempre lembrando. Estes atrapalham o projeto de desmemoriar e de convencer a todos que o passado nada tem a ver com o presente. O passado continua assombrando o presente, permitindo que seja possível compreendê-lo e criticá-lo ou, simplesmente, como os fascistas gostariam, tentar sua reprodução. A vingança da história consiste no fato que não é possível apagá-la. Todos que o tentaram terminaram chamuscados por seu fogo residual.

O fascismo da atual fase da modernidade é liquefeito. Como um gás, está em toda parte. Não precisa ser assumido para funcionar, estando adaptado às exigências do tempo presente. Existe nas práticas de governo e, em outros exemplos, em simples atos de burocratas e outros agentes do poder público. Não precisa de um livro de cabeceira, como o 'Minha Luta' de Hitler. Está diluído nas concepções que as mídias de hoje fazem circular, por vezes, naquelas consideradas como artefatos para divertir. Suas características são muito parecidas com as do fascismo sólido, dependendo de quem o pratica e com que objetivos. Só se solidifica em momentos chave, quando é necessário apelar para força bruta de Estado ou a de grupos organizados no seio da vida social. Os atentados dos pequenos grupos neonazistas são exemplos de solidificação.

É possível que, se a resistência social aumentar, o grau de solidez seja ainda maior. Mas, é difícil pensar que se voltaria ao passado, a não ser, diria Marx, como comédia. A tragédia de hoje está na polivalência do fascismo líquido e não na possibilidade real de golpes de estado, guerras mundiais, ditaduras pessoais, campos de concentração para milhões, soluções finais, disseminação social do ódio e controle absoluto da cultura e da expressão artística. Entretanto, de algum modo todas estas coisas estão presentes no mundo atual. São inspiradas no fascismo líquido de nosso tempo, que abranda as formas, mas mantém os conteúdos do passado sem qualquer mudança substantiva.

Não há registros recentes e significativos de golpes de estado clássicos vitoriosos, mas em alguns países eles ainda ameaçam a ocorrer e isto é usado como fonte de pressão política. Não há possibilidade efetiva de nova guerra mundial, mas seu espectro está presente no fascismo puritano e no fundamentalismo islâmico. O mundo pode ser incendiado ou parecer estar sendo, pela imensa força das grandes mídias e de suas infinitas capacidades de intrigar, difamar e fazer crer nos interesses do poder. Ditaduras pessoais ou militares como existiram, não seriam facilmente assimiláveis, todavia a arrogância do poder continua sendo um fato, bem como a baixa participação das sociedades na solução de seus reais problemas.

Os campos de concentração tradicionais quase não existem mais. Não obstante, o número de prisioneiros sociais e políticos não pára de crescer, inclusive no chamado primeiro mundo. Não há mais a proposta de uma solução final de exterminação racial e a propaganda sistemática do ódio. Contudo, a xenofobia e o ódio racial são problemas extremamente graves em inúmeros países. A cultura e a opinião continuam sendo patrulhadas, mesmo que a censura de Estado e da sociedade seja pequena e insuficiente para contê-las. O mercado revelou-se como um potente instrumento de fazer a triagem, controlar o que se pode falar e dar espaço à conservação.

Este quadro, nada animador, só é possível porque, dentre outros problemas, o fascismo líquido tem espaço garantido nos tecidos sociais. Isto quer dizer que as idéias fascistas estão presentes na conversação diária e são fortes elementos de convencimento social. As pessoas as verbalizam acreditando, como no passado, que elas são a verdade, nada mais do que a verdade. Os ideais do fascismo líquido penetraram nos sensos comuns, que são os suportes da opinião e da ação social. É possível, como na Alemanha de Hitler, comportar-se de modo fascista sem se ter plena consciência do fato. Basta ser racista, xenófobo, homofóbico, sexista e inimigo do pensamento crítico. Os fascistas de nosso tempo continuam sendo, como os do passado, alpinistas sociais. Detestam o saber, a palavra escrita contendo a crítica social e a obra de arte. Desejam desesperadamente a ascensão social a qualquer preço. Não fazem mais autos-de-fé, queimando livros e periódicos. Simplesmente não os lêem e têm raiva de quem o faz. São rancorosos, confundindo, não raramente, o espírito de contestação com o ciúme e o desejo de destruir os outros.

Autor: *Por Luís Carlos Lopes - Carta Maior - do Rio de Janeiro. *Luís Carlos Lopes é professor do Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminese (UFF).•

Publicado por Paulo Nunes, às 01:40
deixe seu comentário


12 de Dezembro de 2006
A república da meia boca

O ano de 2006 marcou o cinqüentenário da indústria automobilística brasileira. Em 1956 o Brasil vivia um momento ímpar. Tínhamos na presidência da república um sujeito interessantíssimo, chamado Juscelino Kubitscheck, que prometia fazer em cinco anos o que qualquer outro faria em cinqüenta. O Brasil era o país do futuro, todos os sonhos eram possíveis. Naquele final de década, o mundo aplaudia a Bossa Nova no Carnegie Hall, a televisão dava seus primeiros passos, Brasília era inaugurada. E mais: os brasileiros eram campeões mundiais de futebol. E de basquete também. Uma tenista Maria Esther Bueno vencia em Wimbledon. Eder Jofre consagrava-se campeão mundial de boxe. E uma porção de gente fazia acontecer, transformando sonhos impossíveis na Embraer, na Embrapa, na Petrobras e em tantas empresas de sucesso. Era fascinante ver a coragem, o senso de oportunidade, a visão dos empreendedores brasileiros. E a evolução tecnológica nessas cinco décadas? Um assombro! Mas... Tem algo que me incomoda. E os empreendedores? Cadê aqueles malucos visionários e corajosos? Cinqüenta anos depois, cadê a indústria automobilística genuinamente brasileira?

O gato comeu.

A indústria automobilística brasileira não é brasileira. É global, com objetivos e prioridades definidas nos Estados Unidos, na Alemanha, na França, na Itália e no Japão. A genuína indústria automobilística brasileira limita-se hoje à Troller, a fábrica dos jipes 4x4 no Ceará. As outras? Morreram. Puma, Gurgel, Miura, Engesa... Criações de empreendedores corajosos que foram tratados como loucos, idealistas inviáveis. Mas quando examinamos essa loucura inviável de uma perspectiva de cinqüenta anos, parece que há algo errado. Só para comparar com quem está na moda: em 1956, enquanto fabricávamos nossos primeiros automóveis no Brasil, os chineses andavam de carro de boi. Os indianos, de elefante. Os coreanos, a pé, em estradas destruídas pela guerra. Esses países eram conhecidos pela miséria industrial, política e econômica. Gigantescos fracassos, que se apagavam diante da exuberância de um Brasil emergente. Qualquer um apostaria em nós!

Pois acabo de saber que os chineses estão trazendo uma fábrica de automóveis para o Brasil. E que está planejada para os próximos meses a importação de carros chineses e até indianos. Da Coréia, então, nem se fala! Importamos tecnologia de quem andava de carro de boi quando já fabricávamos carros no Brasil. Levamos cinqüenta anos para inverter as apostas. A conclusão é que os loucos chineses, indianos e coreanos são mais viáveis que os nossos.

As pesquisas que tenho visto apontam o renascimento do empreendedorismo no Brasil. Mas é um empreendedorismo diferente. Não é o mesmo daqueles loucos de cinqüenta anos atrás. A maioria do empreendedorismo brasileiro deste começo de milênio é o do sujeito que precisa arranjar o que comer no jantar. É o empreendedorismo da necessidade, das expectativas apenas razoáveis, geradas por carências básicas. E é aí que o bicho pega.

A expectativa dos loucos chineses, indianos e coreanos é de conquistar o mundo, como queriam os brasileiros de cinqüenta anos atrás. A expectativa dos normais brasileiros de 2006 é ter um dinheirinho pra comprar um carrinho. De preferência chinês, que é mais baratinho. E até bonitinho.

É a expectativa de quem vive na média. Acostumado com o que é meio-bom, meio-suficiente, meio-competente, meio-confortável, meio-saudável. A expectativa de quem é meia-boca. De quem não percebe que meio-bom é meio-ruim. Meio-honesto é meio-desonesto.

Meio-competente é meio-incompetente. Com que metade você fica?

E assim, na república da meia-boca, cai o avião da Gol e o caos toma conta dos aeroportos, o PCC reina quando quer, as chuvas inundam São Paulo, as estradas são um buraco só, os juros são os mais altos do mundo, a educação é uma piada. E o povo indignado faz cara de espanto, esbugalha os olhos e exclama diante da televisão:

- Mas como?

E então, certos de que fizemos o que dava, voltamos à nossa vidinha das expectativas médias. Resignados como bovinos.

Quer saber? Chega de se contentar com o meio. Quero o Brasil inteiro.

Mas é bom andar logo. Os chineses também querem!

Autor: *Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista e cartunista. Faça parte do Movimento pela Despocotização do Brasil, acesse [3]www.lucianopires.com.br•

Publicado por Paulo Nunes, às 10:14
deixe seu comentário


12 de Dezembro de 2006
O Perigo nas Fronteiras

Nos últimos meses aumentou em muito a violência contra servidores da Receita Federal na região de Foz de Iguaçu.  Alguns destes casos: um ônibus avançou sobre um veículo da Receita Federal, Técnicos da Receita Federal foram agredidos por populares, outro Técnico da Receita Federal foi seqüestrado em Mundo Novo-MS e um dos últimos casos ocorridos foi o assassinato de um Técnico da Receita Federal também em Mundo Novo-MS.

Pode-se tirar algumas conclusões destes fatos: o primeiro é que o combate à pirataria, ao contrabando, ao tráfico de armas e drogas tem surtido efeito naquela região; o segundo: há claramente o deslocamento de criminosos da cidade de Foz de Iguaçu para a cidade de Mundo Novo-MS; o terceiro: nem a Receita Federal nem a Polícia Federal estão se adaptando para enfrentar esta nova realidade.

Para que se tenha uma percepção mais clara do que estamos tratando é preciso registrar que apesar de Foz de Iguaçu ter notoriedade nacional por causa da Ponte Internacional de Amizade e do número de sacoleiros que diariamente transitam por ela, a região mais perigosa na fronteira do Brasil com o Paraguai se localiza nas centenas de quilômetros de fronteira seca no Estado do Mato Grosso do Sul.  Quando se aumenta a repressão em Foz do Iguaçu os criminosos se deslocam para a fronteira no Mato Grosso do Sul, menos vigiada pela Receita Federal e pela Polícia Federal.  Tem-se, então, que reforçar a presença destes órgãos naquele Estado.

Os servidores do fisco federal sabem dos riscos que correm quando concorrem a uma vaga através de concurso público.  O que não é aceitável é a relutância, que às vezes se confunde com omissão, das autoridades competentes em tomar algumas atitudes para diminuir os riscos a que estão sujeitos os servidores.   O Sindireceita já apresentou algumas propostas ao Secretário da Receita Federal para minimizar estes riscos. São elas:

            1) Regulamentação da Lei 11.118/2005 que concedeu o porte de arma para defesa pessoal para os Técnicos da Receita Federal;

            2) Expedição de novas carteiras funcionais que deixe claro o direito do Técnico da Receita Federal de portar arma para defesa pessoal; 

            3) Estabelecimento de que os servidores da Carreira de Auditoria da Receita Federal possam requisitar força policial quando necessário, expressa nas novas carteiras funcionais;

            4) Inclusão da Secretaria da Receita Federal no sistema de segurança pública tendo poder de polícia na área de fronteira;

            5) Criação de uma retribuição especial aos servidores que atuam em atividades de risco, como às relacionadas ao combate ao contrabando e descaminho, como forma de incentivo à permanência nas fronteiras ou em atividades de risco. Desta forma mantém-se a experiência em áreas críticas na Receita Federal;

              6) Fortalecimento da Divisão de Repressão ao Contrabando, Descaminho e Pirataria (Direp) com contratação de Técnicos da Receita Federal e disponibilização de recursos e equipamentos;

            7) Treinamento específico para os novos Técnicos da Receita Federal que forem trabalhar na repressão ao contrabando e descaminho.   

           

Sabemos que quando um sindicato reivindica algo, normalmente este pedido é visto como uma questão corporativista.  No caso em questão, nosso pedido às autoridades é apenas um: nos dêem condições para pelo menos termos alguma chance de sobrevivência.

           

Autor: *Paulo Antenor de Oliveira - Presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal - Sindireceita. E-mail: pa@sindireceita.org.br.•

Publicado por Paulo Nunes, às 10:09
deixe seu comentário


12 de Dezembro de 2006
Quarenta anos do Código Tributário Nacional

O Código Tributário Nacional (CTN) completa 40 anos. Editado sob a égide de um regime de exceção, traz, em vários de seus dispositivos, marcantes traços daquele período. Embora elaborado por especialistas consagrados – fato que proporcionou uma elevada qualidade técnico-legislativa, para os fins a que se propunha o texto – seu conteúdo, frente à exigência de um Estado moderno, eficiente, justo e democrático, tornou-se de tal forma ultrapassado, que a beleza da forma não contrabalança o peso de sua obsolescência.

Mas há de se ter cautela. O risco de se precipitar na substituição de uma lei que está em vigor há relativamente bastante tempo é o de trocá-la por algo pior. Quando o ranço ideológico rouba a cena e toma o lugar do espírito público e da precisão técnica, há grandes chances de que o que poderia ser um grande avanço tornar-se um triste retrocesso. Os poderes constituídos ainda não produziram um texto que pudesse substituir à altura o atual CTN, de tal modo a atender as exigências dos tempos atuais – possibilitando um nível de arrecadação razoável, logo não excessivo, para custear os serviços públicos, além de alargamento da base contribuinte, eliminação dos problemas que levam à informalidade e promoção da consciência geral de cooperação entre a sociedade e o Estado.

Há de se mudar certas idéias, que se tornaram paradigmáticas. O próprio conceito de tributo consagrado no CTN tem-no como uma prestação compulsória, pura e simplesmente, sem dispor sobre sua destinação ou sobre qualquer contraprestação do Estado para com o cidadão. Ainda mais principesca é a regra de que qualquer situação, desde que definida em lei, e atendidos certos requisitos, pode gerar a obrigação de pagar imposto, mesmo quando o ente federativo não demonstre sua viabilidade ou racionalidade econômica nem ofereça ao contribuinte a justa retribuição.

A instituição de um tributo deve ser orientada por uma motivação bem conhecida do público e a ela inexoravelmente atrelada. Devemos pensar o país como um grande condomínio, onde todos têm a obrigação fundamental de colaborar com o custeio e manutenção do patrimônio comum e dos serviços de interesse da coletividade, de acordo com sua capacidade econômica. Por outro lado, os recursos devem ser administrados e empregados de acordo com sua razão de estar nos cofres públicos, de maneira republicana e por meio de instrumentos democráticos.

Embora o conceito de sujeição tributária esteja sedimentado, é preciso também sobre ele tecer uma reflexão filosófica. Atualmente, na nomenclatura legal, o sujeito ativo da relação tributária é o ente público – e o sujeito passivo é o contribuinte. Ora, sendo (ou devendo ser) esta uma relação bilateral, é preciso que sejam explicitadas, também, as obrigações, na prática, dos entes tributantes, que se referem a uma justa contraprestação, na forma de bens e serviços públicos, pelo pagamento dos tributos que exigem em virtude de lei aprovada através de processos constitucionais.

Em síntese, o sistema tributário, como um todo, e em particular, o CTN deve voltar seu foco não somente no tributo, mas, também, e, sobretudo, nos direitos do contribuinte e na harmonia e equilíbrio da relação entre este e os diversos órgãos em que se subdivide o Estado brasileiro. Nem mesmo com um sentido estritamente técnico pode-se admitir tal precedência do Estado sobre o cidadão-contribuinte, como hoje vigora, num tempo em que, cada vez mais, a economia brasileira é afetada pela maneira como são aplicados os recursos que o fisco retira da sociedade.

Autor: *Roberto Carlos dos Santos e Leandro Tripodi são técnicos da Receita Federal filiados ao Sindireceita – Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal.•

Publicado por Paulo Nunes, às 10:05
deixe seu comentário


12 de Dezembro de 2006
Um Show no Atendimento

Respeitável público... Agora com vocês o espetáculo que pode mudar a sua relação com o seu cliente. Nesse espetáculo de autoconhecimento é preciso ter coragem para romper com modelos mentais que já não funcionam, buscar novas soluções para velhos problemas, entender novos modos de comportamento, aprender outras formas de comunicação e linguagem com a comunidade, clientes, parceiros e fornecedores. Entender, definitivamente, que tudo mudou. A era do conhecimento, definitivamente, está entre nós, e as empresas que encantam são as que aliam suas competências ao entretenimento. O cliente hoje quer uma nova experiência de consumo e para isso é preciso profissionais dispostos a criar e participar de um grande show organizacional. Vejamos 06 pontos para começar a dar um show no atendimento.

1. Cooperação versus competição. A melhor forma de crescer é contribuindo para o crescimento alheio. Muitas pessoas confundem competitividade com individualidade ou agressividade o que é um grande erro. A cooperação traz novas e boas experiências para todos gerando uma relação “ganha-ganha”, onde os dois lados são beneficiados. Seja uma daquelas pessoas que todos sabem que podem contar. Esqueça a frase: ­- Isto não é da minha área, não é da minha conta.

2. Trabalhe em Equipe. Defina claramente a missão, os valores da empresa e os objetivos da equipe. É imprescindível definir quais são as metas a serem atingidas. Sendo assim, é preciso definir minuciosamente o “como agir” e os papéis a serem ocupados por cada um. Quanto mais claras estiverem as estratégias, táticas e responsabilidades, melhor. Lembre-se: cegos atirando no escuro dificilmente acertam o alvo. Não se esqueça que equipes são formadas por indivíduos. É importante conscientizar e treinar as pessoas para que convivam e tirem o máximo de proveito desta diversidade. Cada ser é único, repleto de aspirações e motivações distintas, que podem ser a chave para o sucesso de sua equipe.

3. Foque o positivo. Tudo na vida tem dois lados: o positivo e o negativo. Óbvio? Nem tanto assim. Os pensamentos levam à ação, e pensamentos positivos levam a atos positivos. A grande maioria das pessoas estão sempre procurando “pêlos em ovos”. Dizem que 90% de nossos problemas são imaginários, coisas que fantasiamos. Procure a solução do problema. Aprenda com o passado, mas não fique obcecado por ele. Busque a causa e a solução do problema, preferencialmente com a participação de todos os envolvidos no processo. Procure transformar em novas oportunidades fatos que a princípio lhe parecem adversos. Os vencedores são otimistas por natureza.

4. Seja empático. Empatia significa colocar-se emocionalmente e psicologicamente no lugar do outro. Procure ampliar sua visão. Veja a situação com os “olhos do outro”. Antes de tomar uma decisão, procure ver como ela afetará o restante de sua equipe, as relações com o mercado, fornecedores e parceiros. Que tal aprender a ouvir? Já reparou que ouvir é diferente de escutar. Ouça com atenção, olhe para quem está lhe falando, faça com que seu interlocutor se sinta importante. Um erro muito comum é ter uma postura com seus subordinados e outra completamente diferente com seus superiores. Ouça os argumentos de seus colegas, pondere honestamente sobre suas sugestões, não cometa o erro de acreditar na frase: “Só existem dois tipos de pessoas para mim: as erradas e as que concordam comigo.”

5. Use a criatividade. Seja autêntico. Na minha concepção, só existe uma única regra para o sucesso: aceite-se como você é.  Não fique se depreciando, pensando o quanto seria bom se você fosse tão criativo quanto fulano ou beltrano. Você é seu maior patrimônio, invista em si mesmo. Não tenha medo de errar. Maximize todo o seu talento e esforço para o acerto e passe a acreditar mais nas possibilidades de sucesso. Repense e crie novos hábitos, quebre preconceitos. Aprenda e procure novos caminhos. Não tema o ridículo. Morremos de medo do que os outros vão pensar, do que irão falar. Nem todas suas idéias serão geniais, mas, fique certo: só acerta quem tenta. Foque o resultado, fique de olho, monitore o processo e vislumbre o sucesso.

6. Saiba amar. Estamos nos esquecendo de pequenos atos que se praticados podem fazer uma grande diferença no ambiente de trabalho. Seja mais tolerante. Tenha tolerância genuína ao erro, às diferenças, aos obstáculos, ao novo, às mudanças. Compreender que a sua velocidade, nem sempre será a mesma do seu próximo. Compartilhe vitórias, sucessos, e fracassos. Aprenda a amar no dia-a-dia. Amar é uma palavra forte, por vezes constrangedora. Como é difícil amar, mas pode ser fácil tolerar, aceitar, perdoar, ouvir, compartilhar, doar e sem quase nem perceber você já está amando a quem quer que seja.

Crie um grande show em sua empresa, use plenamente os seus talentos, busque parceiros nessa jornada, agradeça os aplausos em suas turnês e escreva um roteiro que, de preferência, termine sempre com a platéia pedindo bis!

Autor: Paulo Araújo - palestrante e escritor. Autor de Motivação - Hoje e Sempre (editora Qualitymark), entre outros livros. Site: www.pauloaraujo.com.br Tel – (41) 3267 6761 – Curitiba - PR •

Publicado por Paulo Nunes, às 09:58
deixe seu comentário


11 de Dezembro de 2006
A dignidade não pode ser maculada por um mero sanguessuga

Quando José Raimundo Fontes foi eleito prefeito de Vitória da Conquista, 70.759 pessoas da população de Conquista festejaram sua vitória. Cito o número em epígrafe para demonstrar que alguns dos que votaram, sequer sabiam o que faziam, uma vez que grande parte deles votou pelas falsas promessas de campanha, principalmente os jovens que imaginaram tantas oportunidades de emprego e estudo com a chegada da famigerada UFBA. Outros foram enganados com as inaugurações de casas de parto ou postos de saúde, que foram fechados após o pleito; outros pelo fato de receberem casas populares e entenderem que esse ato como favor; outros pelos contratos de prestação de serviços temporários com promessa de efetivação e outros, até, por coisas inconfessáveis. De outro lado, os que votaram contra totalizaram mais de 70 mil pessoas, sendo 57 mil votos dados ao ex-deputado Coriolano Sales, 12 mil votos nulos e brancos, 595 dados a Tico Oliveira, além dos eleitores que não compareceram para votar.

Nunca é demais lembrar que em 1997 começou o governo do PT em Conquista e que a vitória petista, em 1996, foi conquistada com base no compromisso de campanha que prometia a mais de mil professores um salário base no valor de R$ 500, tal qual pagava a prefeitura de Itabuna. Vale a ressalva que, à época, o salário dos professores era de um salário mínimo e meio. Pois bem, imagine mil formadores de opinião engajados numa campanha! A conseqüência é que o candidato torna-se quase imbatível.

Com essa visão, e aproveitando-se das dificuldades financeiras que o país passava e, conseqüentemente, a queda da principal receita municipal, o FPM - Fundo de Participação dos Municípios, sai vencedor o candidato petista Guilherme Menezes. Essa vitória, porém, só aconteceu porque Guilherme Menezes teve o apoio total dos deputados Coriolano Sales e Clóvis Assis.

Mas, afora as dificuldades, a cidade e o município estavam prontos para crescer: toda a infra-estrutura para a época já estava pronta. A continuidade e a inovação se tornam responsabilidade de quem se propõe a fazer melhor.

O novo prefeito, contrapondo-se ao seu antecessor, consegue melhorar o aspecto da saúde do município, ganha notoriedade e a confiança do povo, se reelege e abandona a cidade para tornar-se deputado. Em seu lugar, e com muita relutância – como é de conhecimento público, assume o vice-prefeito, José Raimundo.

Em nova eleição, concorrendo com José Raimundo, sai candidato o deputado Coriolano Sales que tem em sua bagagem uma enorme lista de serviços prestados a Vitória da Conquista e região. Embora fosse um parlamentar, o deputado Coriolano Sales sempre arregaçou as mangas e correu atrás de obras e benfeitorias para os municípios, podendo ser considerado um prefeito virtual, posto que realizou muitas obras e serviços que seriam, por lógica, de obrigação do Executivo.

Das três maiores obras do município de Vitória da Conquista, duas são de responsabilidade de Coriolano Sales: a construção de 32 km do Anel Rodoviário Jadiel Matos e a implantação da Escola de Medicina da UESB.

Tendo como opositor um candidato fortíssimo, dono de uma vasta lista de contribuição para a melhoria e crescimento de muitos municípios da região Sudoeste, o PT, diante de uma iminente derrota, resolveu jogar todas as cartas para reverter uma situação extremamente desfavorável sob o ponto de vista eleitoral, dando início a uma guerra suja.
A lei 9.504/97 estabelece que ocupantes de cargos executivos que disputem eleição, não podem inaugurar obras ou receber verbas das esferas superiores durante três meses que antecedem o pleito. Essa sábia medida tem por objetivo equiparar os concorrentes, garantindo o mínimo de paridade para que a disputa tenha o mínimo de equilíbrio entre as partes. Em hipótese alguma a lei diz que o executivo perde a verba se não usá-la imediatamente, sendo, portanto, totalmente compreensível que uma verba seja solicitada e a obra correspondente seja iniciada após o pleito.

O processo contra as atitudes do bom pai, bom amigo, bom professor, bom prefeito, enfim o todo bom José Raimundo que, mesmo extremamente rico nos predicados, contrariando a lei, mandava confeccionar faixas com promessas de obras e utilizava as vias públicas para promover sua propaganda. Demonstrando total desprezo pela lei, o candidato José Raimundo, para promover intensamente sua campanha, não hesitou em utilizar prédios públicos e o brasão da UESB em comitê localizado na Av. Olívia Flores.

O bom prefeito de maneira disfarçada usava de dinheiro público para reforçar sua campanha, pagando R$ 26 mil à Rádio Cidade de Vitória da Conquista sob o pretexto de financiar um programa de forró, quando na verdade a intenção era que a Rádio, em outros programas, falasse muito bem dele e depreciasse seu concorrente. Como a lei proíbe que a Prefeitura mantenha publicidade nos três meses anteriores às eleições, o contrato foi suspenso, mas o programa não. Afinal, quem continuou a bancar o programa?

Enfim, um grande disfarce ocorreu nesse episódio quando a prefeitura e seu candidato se utilizavam do programa Resenha Geral, promovendo diariamente verdadeiros comícios radiofônicos, contando, inclusive, com as presenças dos secretários que ali compareciam para falar das fabulosas realizações do então prefeito candidato. Com a intervenção do Judiciário, a Rádio foi condenada pela justiça de Conquista, da Bahia e do Brasil, a pagar uma multa de R$ 250 mil reais.

Nem assim o bom Raimundo parou de desrespeitar a justiça. Pasmem vocês, contribuintes do erário conquistense: o apresentador primeiro disse que não pagava a multa porque era injusta; uma semana depois disse que pagaria sorrindo. Pergunto: você paga alguma multa sorrindo?

Portanto, minha cara e nobre família conquistense, o bom prefeito cometeu diversos crimes eleitorais e, por isso, uma parte da população que nele depositou 70.759 votos, vê a possibilidade de sua escolha ser anulada. Por outro lado, também representada por mais de 70 mil votos, outra parcela da população, igualmente formada por pessoas dignas e ordeiras, continuam acreditando na justiça e desejam a lisura do pleito, respeitando o princípio de que deve haver paridade na ética e não a idéia de que a ética para os integrantes do PT é uma e para o resto dos meros mortais é outra.

Por exemplo, na opinião do presidente do PT de Vitória da Conquista, o prefeito José Raimundo Fontes não foi cassado por improbidade, por corrupção, desvio de dinheiro público ou falcatrua. Segundo ele, em seu editorial ipisis literis “mas por ter realizado obras da maior importância para a população da cidade, que seus adversários, inconformados com a derrota, alegam que foram iniciadas fora do prazo legal, o que não é verdade”.

Concordo com o presidente do PT de Conquista em um ponto: as obras são da maior importância; discordo apenas de que tais obras tenham sido iniciadas no prazo legal, o que não é inexoravelmente verdade. E quem diz não mente e já havia alertado a população de Conquista sobre algumas importantes mentiras:

  • A UFBA JÁ CHEGOU;
  • O CURSO DE MEDICINA TEM VESTIBULAR MARCADO PARA JUNHO DE 2003;
  • A UFBA CHEGA A CONQUISTA COM ONZE CURSOS;
  • A CIDADE RECEBERÁ UMA FÁBRICA DE BOLAS QUE VAI GERAR 200 EMPREGOS;
  • A FÁBRICA DE MEDICAMENTOS VAI GERAR 400 EMPREGOS DIRETOS EM 2004;
  • O RESTAURANTE POPULAR SERÁ INAUGURADO (2004) E VAI FUNCIONAR NO MERCADO DO BAIRRO BRASIL;
  • A EMPRESA QUE COMEÇOU A CONSTRUIR A PONTE DO BATE-PÉ JÁ SACOU R$ 5 MILHÕES;
  • O DINHEIRO DA RIO-BAHIA JÁ ESTÁ NA CONTA, entre outras mentiras.

Conquista se lembra disso tudo. Ouviu um simples jornalista desafiar os poderosos apenas, e tão somente com a verdade. Desafiou o prefeito a mostrar qual foi o protocolo de intenções que ele assinou junto com o reitor da UFBA no Fórum João Mangabeira. Se o prefeito já tivesse mostrado o tal documento, não estaríamos tão estarrecidos com as declarações do Sr. Naomar Almeida, que afirmou que nunca houve a cogitação de nenhuma escola de medicina para Conquista como fato concreto, mas apenas figurava como repertório.

Portanto senhores, é com a credibilidade de quem preza pela moral, pela ética e pelo respeito, é com a credibilidade de quem observa, pesquisa e analisa que afirmo que as obras começaram fora do prazo legal, caracterizando um crime eleitoral. O povo não é bobo, presidente, e sabe que o Sr. está mentindo.

Quase todos os homens de Conquista são respeitados por suas trajetórias de vida social, política, pessoal ou acadêmica. Muitos deles, tal qual José Raimundo, são de origem simples e rural; tiveram que lutar para estudar; alguns conquistaram notoriedade nacional, outros não, porém são todos dignos.

O gestor que mais realizou obras de infra-estrutura em Conquista foi José Fernandes Pedral Sampaio, criando todas as condições para o crescimento da cidade: implantou a UESB, incrementou a lavoura cafeeira, dotou a zona rural de estradas vicinais com boa qualidade, enfim, entregou ao novo prefeito, em 1997, uma cidade com mais de 200 mil habitantes. Todos se alimentavam, os maiores de 18 anos trabalhavam, as avenidas, ruas e praças são as mesmas, várias indústrias, escolas de todos os níveis, os hospitais são os mesmos, as repartições públicas são as mesmas, até a quantidade de feiras livres é a mesma, enfim, UMA CIDADE E UM MUNICÍPIO PREPARADOS PARA O FUTURO.
A lei dá direito a qualquer cidadão que se sinta prejudicado por ato de outrem ou do Estado, o direito de pleitear no Poder Judiciário a reparação de todo e qualquer direito lesado. Desta forma, dentro do direito que a lei lhe concede, Coriolano Sales não “ressurge” como sugerem alguns, ao contrário, luta pelo mandato que considera usurpado por abuso de poder político e econômico. Obtusa é a idéia de quem, ignorando as mais básicas regras de direitos e deveres, respeito e ética, tenta manipular a consciência do povo, inclusive maculando a integridade da justiça ao adjetivar-lhe, pejorativamente, como “tapetão”.

Outrossim, é bom lembrar que Coriolano Sales é uma figura política das mais importantes do país, tendo relevantes serviços prestados a Bahia e ao Brasil; um cidadão que também nasceu na roça, foi alfabetizado aos 10 anos de idade tornando-se advogado aos 27. Ingressou na carreira política em 1982 se elegendo deputado estadual e reeleito em 1986, quando se tornou o terceiro deputado de Conquista a se eleger presidente da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, precedido por Adelmário Pinheiro e Orlando Spínola. Foi também o Sr. Coriolano Sales, presidente da Assembléia Constituinte da Bahia, em 1988.  Em 1990 foi eleito deputado estadual, pela terceira vez.
Como deputado estadual trabalhou de forma decisiva para que a região da Serra Geral da Bahia fosse atendida no serviço de energia rural e urbana, beneficiando vários municípios; participou decisivamente na confecção do Projeto Gavião; foi autor dos projetos que dotaram os municípios de Candido Sales, Anagé e Barra do Choça de Comarca, distribuindo justiça aos mais pobres; também atuou de forma decisiva para a implantação da barragem de Água Fria, além de beneficiar com várias ações de combate à seca, os municípios de Tremedal, Cândido Sales, Belo Campo, Barra do Choça e Anagé.
Em 1994 tornou-se deputado federal e iniciou trabalhos que culminariam com as construções dos hospitais de Cândido Sales e Belo Campo, além de grande ajuda para a construção do hospital de Barra do Choça. Também na área de educação o deputado levou muitos benefícios e melhorias.

Em Vitória da Conquista são muitas as ações do então deputado. Para ajudar na eleição de Guilherme Menezes, colaborou intensamente na implantação do Banco do Povo, da Crediccop – Cooperativa de Crédito dos Servidores da Prefeitura de Vitória da Conquista, da Credibarra em Barra do Choça, da Copese, da Crediuesb e do Banco da Mulher. Destinou R$ 400 mil para o CAP – Centro de Aperfeiçoamento Profissional da UESB, trabalhou intensamente para a implantação da Unihana (FTC), Faculdade de Tecnologia e Ciências que tanto vem desenvolvendo o pólo educacional de Vitória da Conquista.
Em 1998, deputado federal pela 2ª vez, utilizando sua cota de verba parlamentar, possibilitou a construção de aguadas e barragens nos municípios de Belo Campo, Tremedal, Cândido Sales, Anagé e começou a luta pela implantação de uma vara da Justiça Federal em Conquista, luta essa concluída com êxito, além de ter também conseguido a implantação da segunda Vara do Trabalho.

O destino o colocou como relator do Projeto de Interiorização da Justiça Federal e ele além de beneficiar Vitória da Conquista, incluiu as cidades de Itabuna, Jequié, Barreiras, Juazeiro, Campo Formoso, Bom Jesus da Lapa, Feira de Santana, Salvador e Irecê.
Em 2002, deputado federal pela terceira vez, lutou e conseguiu construir o hospital de Condeúba. Com muita luta conseguiu a finalização da obra do Anel Rodoviário Jadiel Matos. Conseguiu a implantação da Escola de Medicina da UESB e a aprovação do Projeto da Universidade Federal de Vitória da Conquista em três das cinco comissões necessárias (faltando ainda a aprovação das Comissões de Finanças e Tributação e de Justiça e Redação Final). Lutou e conseguiu junto ao governo do Estado a recuperação do Hospital Crescêncio Silveira; implantou, com verba parlamentar, mais de 30mil km de rede de energia rural no município de Vitória da Conquista; levou ao governo do Estado o projeto de implantação de extensões do ensino de segundo grau para os distritos de Inhobim, Cercadinho, Batuque, Iguá, São Sebastião, Cabeceira do Jibóia, José Gonçalves, Bate-Pé e Pradoso, além da implantação do Colégio Dom Climério na Urbis VI em Conquista.

Dentre suas realizações mais recentes podemos citar também a implantação das fábricas Umbro, Dilly e Kappa, que empregam no momento, diretamente, 2.500 pessoas e que vêm gradativamente aumentando o número de empregos.

Devo esclarecer também que o Sr. Coriolano Sales teve o apoio do governo estadual apenas nos anos de 87 e 88 e de 2003 a 2006, ou seja, durante os seus 24 anos de vida parlamentar foi aliado do governo apenas por 6 anos, permanecendo na oposição por 18 anos, tanto a nível estadual como a nível federal, o que não impediu que se tornasse o deputado que mais trabalhou por Conquista e região, em todos os tempos, o que já basta para merecer o respeito que lhe é devido, inclusive e principalmente pelos que se beneficiam de suas realizações, seja direta ou indiretamente.

Tentando esconder a importância que teve e tem o Sr. Coriolano Sales, o presidente do PT, Sr. Almir Pereira, sequer questiona a ajuda que o ex-deputado deu ao ingrato e ex-amigo Guilherme Menezes para que este chegasse à prefeitura. Prefere dizer que o ex-deputado TENTOU FRAUDAR as eleições em 2004. Pois é, TENTATIVA DE FRAUDE não é, nem na lei de Deus uma coisa boa. Boa mesmo, para o PT é FRAUDAR, COMO DE FATO FRAUDOU AS ELEIÇÕES e, por isso, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, resolveu baseado na lei, cassar o mandato do prefeito José Raimundo, como medida da mais lídima justiça para a honra de conquistenses que não admitem o descumprimento de regras éticas.•

Publicado por Paulo Nunes, às 09:10
deixe seu comentário


 
 
Águia Filmes
.
    Página principal
.   Artigos
.   Entrevistas
.   Cidadania
.   Especiais
.   Imagens
.   Polícia
.   Artistas
.   Saúde
.   Meio Ambiente
.   Música
.   Esporte
.   Vídeos
.   Perfil
.   Conheça sua cidade
.   Conquista Bairro a Bairro
.   Regras para comentários
.   Fotos do programa de rádio
 
Perfil

Paulo Nunes
É jornalista e advogado;
• Iniciou no jornalismo em julho de 1987, como repórter do jornal ‘O Radar’ de Vitória da Conquista;
Foi repórter do Correio da Bahia em 1998;
Foi repórter da Revista Panorama da Bahia da Cidade de Feira de Santana;
• Foi repórter e colaborador da Revista ‘A Bahia de Hoje’;
Em 1990, criou o ‘Jornal Hoje’ de Vitória da Conquista;
• Em 2001, foi editor chefe do ‘Diário do Sudoeste’ de Vitória da Conquista;
Em 2001 iniciou como comentarista do Programa ‘A Cidade em Revista’ da Rádio Clube de Conquista, junto com o radialista Edmundo Macedo;
• No dia 14 de julho de 2004, por determinação da direção da Rádio Clube de Conquista, se tornou apresentador do Programa ‘Tribuna Livre’ que vai ao ar de segunda a sexta-feira, ao meio dia pela Rádio 96 FM - um programa líder de audiência no horário.

 
 
Kadeconquista.com