Por Paulo Pires*
Os sete sábios: da Grécia e de Conquista
Onde encontrar sabedoria? Ou, melhor, onde encontrar sábios? Seria possível fazer uma lista de pessoas sábias aqui em Conquista? O filósofo Platão, na velha Grécia, parece não ter tido muita dificuldade. Mas, e no Planalto Baiano, seria fácil? O grande filósofo foi extremamente feliz na sua lista. A prova disso é que até hoje ela continua propagada pelo mundo afora. Do mesmo modo, diria que é extremamente difícil fazer uma lista de pessoas ricas. Favor não confundir pessoas com grandes patrimônios com pessoas ricas. Estas últimas pertencem a uma categoria totalmente diferente das primeiras. O mesmo fenômeno ocorre no campo do conhecimento. Existem pessoas estudiosas, cultas, profundas (tenho pavor dessas) e o escambau. Mas o que me interessa são pessoas sábias.
O crítico americano Harold Bloom (University Yale) teve uma de suas obras publicada pela Editora Objetiva (2004) cuja preocupação manifesta-se no próprio título da obra que é Onde encontrar a sabedoria? Eis aí uma das questões maiores da humanidade. No dia a dia, somos usuários fiéis do conhecimento baseado no senso comum. Mas, será que ações baseadas exclusivamente nessa fonte nos garantem resultados positivos? Será que sempre estamos certos? O livro de Mr. Bloom é dividido em três partes. Na primeira ele se debruça sobre a Bíblia com Hebreus, Jô e Eclesiastes. Em seguida trata dos gregos, onde coloca em oposição Platão e Homero. Encerra o capítulo com dois monumentos do Renascimento: Cervantes (o espanhol) e Shakesperare (o inglês genial).
Na parte segunda, o professor Bloom resgata Montaigne (aristocrata francês, muito admirado pelo nosso amigo Antônio Roberto) e Francis Bacon (um dos pais da teoria da ciência moderna). Para não fugir ao itinerário da excelsa sabedoria, dedica-se também a Samuel Johnson (outra maravilha da Inglaterra) e viaja até a Alemanha em busca de um cidadão chamado Goethe (este, tão importante que há feriado nacional na Germânia para comemorar o seu dia, não sei de nascimento ou de morte). Em seguida Mr. Bloom socorre-se do seu compatriota Emerson, vai de novo à Alemanha no rastro de Nietzsche (que Elomar despreza), passa pela Áustria em busca de Freud (que Elomar desdenha) e repousa no francês Proust (talvez em busca do tempo perdido). É um passeio e tanto, o do professor Bloom.
Mas, e os sábios? Quanto aos da Grécia parece não haver dúvida (e se houver, são poucas). São eles: Tales de Mileto, Quílon de Esparta, Periandro de Corinto, Pítaco de Mitilene, Bias de Priene, Cleóbulo de Lindos e Sólon de Atenas. E os de Conquista? Será que temos também sete sábios? Estou aqui, passando a limpo alguns dos nossos nomes. Professores, políticos, doutores, autodidatas, profissionais liberais, psicólogos, geógrafos, homens e mulheres da literatura, da pesquisa acadêmica, homens do campo, etc. Onde estão os nossos sábios? De uma coisa tenho certeza, não encontraremos nenhum sábio na burocracia. A burocracia não apenas escraviza o ser humano, faz pior: emburrece. Além de burro, frio e indiferente o sujeito fica mal visto, até pela própria família. Torna-se um chato de galocha. Portanto, é impossível encontrar um sábio burocrata ou vice-versa, um burocrata sábio.
Gostaria que os amigos auxiliassem na lista dos nossos sábios. Cuidado. Não confundir sapiência com currículo, cultura ou vida acadêmica. Graciliano Ramos e João Guimarães Rosa afirmavam terem encontrado nos sertões e nos campos gerais pessoas totalmente analfabetas sob o ponto de vista formal, mas surpreendentemente geniais sobre questões que requisitavam eficácia em relação á soluções para os problemas da vida. Isso é sabedoria. O ser humano sábio tem um conjunto de fatores agregados ao seu perfil que ninguém não sabe como é que aquilo foi adquirido. Não há escola para sábios, como não há para os grandes artistas. Eles já nascem geniais, depois se melhoram pela aplicação e desenvolvimento.
Estou com sete nomes na cabeça, mas deixarei para outra oportunidade, para não causar ciúmes e mal entendidos. Tenho certeza que alguns nomes vão surpreender. E serão naturalmente contestados. Ainda assim, não deixarei de colocá-los no rol das pessoas sábias. Se você se acha um sábio e não encontrar o seu nome na lista, por favor, me procure. Depois da primeira lista, haverá possibilidade de uma segunda. Tudo hoje permite “novo” na frente. Nova Schin, Novas Maravilhas da Humanidade e assim por diante. Não fique triste nem se zangue. Sua vez chegará. Um abraço cordial e até a próxima.
Paulo Pires (*) Professor UESB-FAINOR |