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Será que temos o que comemorar?

Por Francisco Silva

Olhando um pouco para o passado, vejo as cenas passando em minha memória como se fossem ontem. O Brasil, como todo país terceiro-mundista, em novembro de 1976 festejava de maneira esfuziante a vitória de Jimmy Carter ao governo dos Estados Unidos, foi um espocar de fogos por todos os cantos os cantos do país, em Conquista não foi diferente. Todos os quintais e senzalas do mundo submisso ao imperialismo norte-americano festejaram a vitória do então novo presidente americano. Eu, também vibrei, como todo cidadão desinformado e sonhador – sinceramente, quando me lembro disso eu sinto vergonha da minha débil manifestação de contentamento.

Quatro anos mais tarde, novamente estávamos, nós cá, torcendo por uma vitória do Cowboy (escrevem erradamente ‘cawboy’) Ronald Reagan, que se manteve no governo por oito anos (1971/1980). O mundo submisso, como ainda hoje o é, continua com olhos e ouvidos atentos ao que ocorre na sucessão presidencial norte-americana. Como nunca aprendemos, estamos novamente a torcer por este ou aquele candidato; parecemos os fiéis e alienados telespectadores das novelas da Globo. Esperamos pelo folhetim anunciado com grande expectativa, e, com o correr do tempo nos decepcionamos, achamos que a novela foi uma grande porcaria; quando a “poderosa” começa a anunciar a nova novela, aí, somos enfáticos em profetizar: a próxima novela da Globo vai ser um espetáculo!

Pois é! Nos últimos meses estivemos todos com as atenções voltadas para sucessão presidencial americana. Nesta, tinha um ingrediente especial, tinha um negro com reais chances de sair vitorioso, muito diferentemente de Jesse Jackson, outro negro que, sem qualquer chance real, não passou pelas primárias americanas. Agora foi diferente, a vitória do Barack Hussein Obama, trouxe para o mundo sonhador, o direito de vislumbrar dias melhores, sobretudo, a sua política internacional armamentista.

Mas, dentro do país, a questão racial que tanto tem envergonhado os americanos, parece aos auspiciosos noticiários pelo mundo, ganhar um especial aliado no combate ao racismo. Este filme, em cores vivas nós aqui no Brasil assistimos; quando Lula ganhou a presidência da república, pareceu aos olhos dos menos experimentados que o Brasil teria naquele instante ultrapassado a barreira da intolerância entre o capital e trabalho. É inegável que algumas mudanças aconteceram, mas, a arrogância dos, digamos, “republicanos” brasileiros, promete que provará que o governo Lula nunca foi, não é e jamais será o governo dos sonhos para os brasileiros; coisa que só “eles” é que conseguirão – estiveram no poder por centenas de anos e nada fizeram – a fórmula mágica para fazer feliz toda uma nação (sinceramente, acho, que uma nação de abastados como “eles”).

O resto do mundo emergente acha e até aposta numa melhora significativa na economia mundial com a chegada do “Hussein” Obama, Barack no principal palco do poder no planeta. Mais uma vez, a “fezinha” dos povos do mundo, espelhados na crença diária de todo bom brasileiro sonhador que não deixa de passar pela banca da esquina para fazer a sua aposta no jogo do bicho, espera, que, o Barack seja enfim, o ungüento para as nossa “contusões”. Como diz um personagem do Zorra Total (o você de amanhã) “Espera! Espera e Verá”!

Pessimismo? É que já estou calejado! A farinha no mundo está pouquíssima; e como diz um velho e experimentado ditado: “Farinha pouca, o meu pirão primeiro”. Não há que se iludir, esperanças, nelas podemos depositar, mas, não apostar. No dia seguinte ao da vitória do Barack Obama, mais esperto do que rápido o candidato derrotado Jonh McCain, se derreteu em elogios ao novo presidente, lamentações por não ter a avó do Obama esperado (faleceu dias antes) para ver a vitória do Neto Querido à presidência da mais poderosa nação mundial. Pelo balançar da carruagem, o Obama será o presidente, mas, o “orgulho americano” continuará o mesmo, o derrotado McCain, disse que se colocará a disposição do governo para co-governar o país. Resumindo: você é o presidente Obama! Mas, devagar com o andor que o santo é de barro!

Pois muito bem, entra governo sai governo na casa do Tio Sam, e, o mundo sempre na vã esperança de dias melhores; o que o mundo ainda não percebeu, e eu na minha ingênua percepção, posso adiantar, que os americanos são na verdade, uns grandes apostadores com o dinheiro e a força de trabalho alheia; eles são o tipo do apostador, que, chega a casa de aposta, apresenta o “checão sem fundos” o famoso borrachudo, no final das apostas, e sempre tiveram a sorte de ganhar para no dia seguinte cobrir o “borrachudo”, neste particular, entendo que, para nós emergentes, a vitória do Obama parece suavizar um pouco os impactos da crise mundial que se arrasta, e, não é de agora. Todavia, a vitória do McCain, dava-nos a certeza de que mudanças não aconteceriam. De uma coisa eu estou certo e não abro mão da minha opinião; tanto o McCain como o Obama, tem um princípio fundamental: ambos não vêem a hora de enfiar os dois dedos em nossos olhos; O McCain, já entraria vazando os olhos daqueles que não se alinham com a política americana. O Obama, fazendo o bom moço, usará luvas cirúrgicas devidamente esterilizadas, e, não perderá a oportunidade de suavemente enfiar os dedos nos olhos incrédulos de todos que, pelo mundo afora festejaram a sua vitória. É só esperar para ver!

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