Blog do Paulo Nunes Rotating Header Image
AdderallXanaxCialis online


Imprima esta matéria Imprima esta matéria

Feliz Carnaval Minha Gente! Menos na Cidade de Brumado

Por Joilson Bergher*

Como nos mostra a história, “O rei Momo guarda a chave da cidade. Segundo as raízes etimológicas, carnaval é a comemoração da carne; portanto, a festividade do ego, concordam? Nós mergulhamos em águas rasas e abissais, límpidas e muitíssimo turvas (…) e mais, só faz carnaval quem está vivo. A gente canta, toma umas e outras e acaba bebendo todas; paquera, namora, pula e implora por um ano melhor, mais justo, sem fome, com emprego para todos e para todas, fartura e bastante saúde”. A conclusão comum: a festa também produz alegrias diversas. É participativa, é contagiosa, “é o melhor remédio para os males da alma”. É isso, assim, o ano produtivo finalmente começa, pelo menos no Brasil, fecha-se então um ciclo de festas. Em 2009, nada disso aconteceu na cidade de Brumado, frustração geral.

Fico a me perguntar: se o governo do Estado da Bahia repassou segundo o Diário do estado da Bahia do dia 18 de fevereiro de 2009 cerca de R$ 2 milhões para cobrir custos com cachê de grupos e artistas, além de desponibilizar mais de 6 mil policiais destinados a manter a segurança dos foliões. Então Porque Brumado também não fora contemplada? Eis alguns municípios beneficiados. Barreiras, Rio de Contas, Caravelas, Maragogipe, Prado, Mata de São João, Porto Seguro, Juazeiro, Palmeiras, Ilhéus, Irará, Itabuna, Paratinga, Lapão, Paramirim, Baianópolis, Conde, Jequiriçá, Taperoá, Camamu, Mucugê, Cipó… Pode-se até usar o argumento de que são cidades que se encontram em regiões de apelo turístico situadas ao Sul, Recôncavo e Chapada Diamantina dessa velha Bahia… Sim e daí? Eis a minha dúvida: será que deve ter faltado por parte do Executivo, seus Assessores e Secretários um projeto viável de captação desses recursos junto ao governo do Estado? E se o executivo tivesse envolvido a chamada iniciativa privada será que teria o carnaval? Não sei. Amigos leitores e leitoras, sinceramente, nem imagino que o atual Gestor reeleito nas urnas de forma consagratória, com méritos inclusive, tenha usado de maldade contra os brumadenses ao não realizar o carnaval, certamente não, acho que não é isso! É isso, há uma pergunta no ar que não quer calar “Porque não houve o carnaval de Brumado”? Não creio que a essa ‘Crise’ vivida no mundo atual tenha sido um entrave contra o nosso carnaval, partindo do pressuposto que ‘crises’ se combate com investimento e trabalho – afinal é esse o discurso do Presidente Lula, do governador J.Wagner e dos próprios prefeitos desse país, aliás, na reunião de dois dias que até houve recentemente em Brasília com o presidente Lula, isso ficou muito evidente. Então, por que não houve nosso carnaval? Teria sido a ausência de vontade política? Também não sei. Não pudemos deixar de realizar o carnaval, quebrar uma tradição regional de grande monta e que certamente tem ressonância nos vários cantos desse Estado, a festa aqui tornou-se referência inclusive para mim que não sou dessa cidade, mas que a tenho como se fosse a minha! Estou falando de identidade e pertencimento. Até percebo e é claro para todos que o carnaval que é feio na Bahia se ‘doutorou’ em democracia, mas a ‘elite’ que acha que pensa, o tem tornado uma receita monótona, sem autenticidade – vivendo na base do lucro puro e simples, vejam o exemplo do maior carnaval do mundo, o feito na cidade do Salvador onde impera de forma catastrófica, cínica e descabida o domínio do espaço público por interesses privados… O resultado? Tem-se a exclusão do folião pipoca, aquele ou aquela que trabalha o ano inteiro, junta alguns reais, vai para a rua e mesmo assim se diverte. Certamente esse folião não tem acesso a camarotes, e fantasias de alto valor, mas é alto mesmo. Essa é uma prática perversa, desumana e espúria. O resultado? Revoltas, brigas, pancadarias e mortes contra aquele ou aquela que está mais próximo. Está na ordem do dia fortalecer as manifestações que diz da cultura de um povo, falo da festa de Reis, de um São João regional decente, de um Carnaval vibrante e de inclusão social fortalecendo o aspecto participativo refletindo assim o que eu chamo de ‘aspecto da nossa contemporaneidade’. Certamente o carnaval ou qualquer outra festa de caráter regional ou não deva ser tratadas não como ‘gastos’ mas como ‘investimento’ a curto, médio e a longo prazo. Todos ganham: o empresário que vende desde a gasolina passando pelo que tem um hotel, o da moto taxi, a pessoa que tem um restaurante na feira, o dono de determinada confecção e de malharia… “Como se vê, carnaval é uma festa que promete, é a ‘peça básica do patrimônio cultural da Bahia, à altura de uma tradição firmada nos últimos decênios”. É isso, “Só não sai atrás do trio elétrico que já morreu, não é mesmo?! Deixo a pergunta: Quem perde ou quem ganha com a não realização do carnaval?

* Joilson Bergher, Professor de História da rede Pública Municipal em Brumado, Especialista em Metodologia do Conhecimento Superior pela UESB e Pesquisador independente do Negro no Brasil.

Nenhum comentario em “Feliz Carnaval Minha Gente! Menos na Cidade de Brumado”

Deixe um comentário