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‘Waldick, sempre no meu coração’, documentário de Patrícia Pillar, chega aos cinemas

Documentário será lançado em Salvador no dia 21 de agosto

e no Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza em 28 de agosto

Os inseparáveis óculos escuros e o chapéu de caubói de Waldick Soriano fascinaram a menina Patrícia Pillar. As canções e a vida que se revelou por detrás do personagem mítico serviram como impulso para a atriz embarcar na sua primeira jornada por trás das câmeras e realizar o documentário ‘Waldick, sempre no meu coração’, que estreia em Salvador no dia 21 de agosto e chega aos cinemas do Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza em 28 de agosto. No dia 13/08, o filme será exibido em praça pública na cidade natal de Waldick, Caetité, localizada no interior da Bahia.

O documentário é o capítulo final de um projeto iniciado em 2005, que contemplou ainda a realização de um show no Cine São Luiz, em Fortaleza, gerando um CD e DVD, lançados no ano passado. “Não queria fazer uma biografia, não me propus a contar a história dele. O filme é basicamente o meu olhar sobre a vida do Waldick, o encantamento verdadeiro que tenho por ele”, explica Patrícia. O lançamento nos cinemas almeja recolocar o artista no lugar onde sempre habitou, o coração do povo. “Waldick era um ídolo popular que ficou um pouco esquecido, mas permanece no imaginário das pessoas. Quero refazer esse elo, apresentar sessões populares, levar o filme ao máximo de lugares que conseguir”.

Patrícia não esconde sua admiração por Waldick Soriano, explicitada já no título do documentário. “Sempre gostei dele, desde quando via aquela figura misteriosa e divertida na TV. Muitos anos depois, pesquisei a obra e fiquei encantada pela voz, pela poesia simples, mas profundamente tocante. Descobri pérolas, músicas que nem sabia que eram dele”. Assim são as canções de Waldick. Fazem parte da memória coletiva, ainda que, por desinformação ou esquecimento, nem sempre lhe seja dado o devido crédito como autor. ‘Eu não sou cachorro, não’, ‘Tortura de amor’, ‘Essa noite que queria que o mundo acabasse’, entre tantas outras, se mantêm como crônicas das desventuras amorosas do povo brasileiro.

A relação de confiança entre Patrícia com Waldick foi sendo construída gradativamente. “No início, ele era muito fechado, desconfiado, mas aos poucos me deixou entrar na vida dele e nos tornamos amigos”. A convivência trouxe para a atriz e cineasta um novo olhar sobre seu protagonista. “Procurava aquela imagem que era quase um arquétipo e me deparei com uma figura fascinante, um homem com um quê de desamparo, mas também uma altivez impressionante. Um senhor já distante do seu auge popular, refletindo sobre as escolhas que fez na vida e as suas respectivas conseqüências. Sempre com um olhar bem humorado”.

O filme despe o mito e veste Waldick com suas imperfeições, seus erros. O passeio pela vida do cantor revela uma forte expressão da cultura brasileira sem perder o foco de que é a história de um ser humano com os traços emocionais inerentes a qualquer pessoa. “Quis separar o homem do artista. Usando o Waldick como personagem, pude falar de temas que me interessam, como a solidão, a eterna busca pela felicidade, o amor, a velhice, a boemia”, afirma Patrícia.

O amor é o protagonista não apenas da obra de Waldick, mas também de sua vida. Impossível estabelecer o limite entre realidade e ficção. O próprio artista dá a pista no filme: “O poeta nasce para pensar no amor. Não tem saída, não (…) a vida é muito complexa e o poeta se apega demais. Quando ele gosta de uma pessoa, gosta pra valer”, confessou diante da câmera. “Ele se autodenominava poeta, não apenas pelo que escrevia, mas, sobretudo, pelo seu estilo de vida”, revela Patrícia. Não por acaso, Waldick teve 14 amores confessados, alguns devidamente registrados no documentário.

‘Waldick, sempre no meu coração’ levou mais de três anos para ser finalizado. As filmagens percorreram a trajetória afetiva e familiar do artista, passando por Caetité, Quixadá, Sobral, Fortaleza e São Paulo, com depoimentos de alguns amigos e amores, além de imagens de arquivo e de shows. “Queria realçar a importância e a beleza da obra do Waldick, mas sem esconder as contradições e angústias do homem que a criou”, finaliza Patrícia.

“O filme olha de frente um homem (e sabendo que olhar de frente não é só filmar a sua “realidade”, mas também o seu imaginário, uma vez que este é tão formador de uma vida quanto). E é em algum lugar entre o frágil e/ou embriagado homem idoso e a sombra mítica do chapéu de caubói sob os holofotes do palco que Patrícia Pillar encontra o seu Waldick Soriano: um personagem e tanto.”

Eduardo Valente - Revista Cinética

“É com sensibilidade feminina, e muito respeito pelo personagem, que Patrícia consegue extrair camadas interessantes dessa vida (…) Há boa dose de melancolia nesse filme, às vezes tão engraçado quanto triste”.

Luiz Zanin Oricchio – O Estado de São Paulo

“Emocionante e emocionado, ‘Waldick, sempre no meu coração’ retrata a carreira, a vida e o estilo inconfundível de Waldick (…) Talvez o maior mérito do filme seja o carinho que ele tem para com seu personagem (…) Apenas o registra com invejáveis proximidade e dignidade. Nem de longe parece filme de estreante. Patrícia demonstra um profundo respeito quando passa para o lado de trás. Sabe captar a alma através das lentes”.

Celso Sabadin – Revista de Cinema

FICHA TÉCNICA

Waldick – Sempre no meu coração
Gênero: Documentário
Duração: 58 min
País de origem: Brasil
Ano de lançamento: 2009

Classificação Indicativa: 12 anos

Direção
Patrícia Pillar

Produção
Mariza Leão
Patrícia Pillar

Roteiro
Patrícia Pillar
Fausto Nilo
Quito Ribeiro

Fotografia
Leandro HBL
Miguel Vassy
Pedro Urano

Waldick – sempre no meu coração

Patrícia Pillar era ainda criança quando foi apresentada à música de Waldick Soriano pelo radinho de pilha de sua babá. O repertório dedicado às dores adultas, falando de amor e saudade, ficaram ali na memória da menina até hoje. Na dela e na de várias gerações que ouviram os sucessos do artista (1933-2008). Um desses sucessos foi “Tortura de amor” (“Volta, meu amor/ fica comigo, não me desprezes / A noite é nossa/ e meu amor pertence a ti”), música que despertou na atriz o interesse pela vida e a obra de Waldick.

Mais ainda do que a obra, mais do que a vida, o que interessou Patricia foi essa quase umbilical relação que um artista popular como Waldick tem com seu público que, em última instância, é o povo brasileiro, primeiro o nordestino espalhado por todo o Brasil. Meio espelho, meio porta voz dos brasileiros ou apenas mais um brasileiro, assim é o Waldick de Patricia.

O resultado desse impacto pessoal foi a produção do documentário ‘Waldick – sempre no meu coração’, primeiro filme dirigido pela atriz. O filme se desdobrou na produção de um DVD e um CD feitos a partir de um show ao vivo produzido especialmente para o documentário e revitalizou a imagem do artista, valorizando a música romântica e seu público.

Como o próprio título sugere, a emoção teve grande destaque na vida do cantor, indicando a direção de sua trajetória artística e pessoal. A explicação é dada por ele mesmo no filme: “(o poeta) nasce para pensar no amor. Não tem saída, não”. E foi assim, pensando no amor que ele compôs e interpretou clássicos da música romântica, como ‘Quem és tu’, ‘Fujo de ti’ e ‘Eu não sou cachorro, não. Nesse ponto, Waldick fez questão de ressaltar a classificação de seu repertório. “Já fui chamado de cafona, mas agora cafona virou brega. Só que eu sou romântico”.

De fato, é romântico por ter uma obra puramente sentimental. “Foram tantas músicas que fiz pensando em alguém… É difícil explicar. Sempre o amor, a saudade, a falta de alguém… A vida é muito complexa e o poeta se apega demais. Quando ele gosta de uma pessoa, gosta pra valer”, confessou diante da câmera. A mesma câmera registrou depoimentos de alguns dos 14 amores confessados de Waldick. Digo “confessados” porque o próprio artista se declarou um aventureiro e recriminou a si mesmo: “Isso não se faz”.

Depoimentos como esses, em que o artista e ex-amores apontam suas qualidades e seus defeitos, fazem com que o documentário seja mais que uma biografia, mais que a história da carreira. O filme apresenta o homem, o cantor, o compositor e o trabalhador em depoimentos de pessoas próximas a ele ou de sua música, como é o caso de fãs que se emocionam ouvindo suas canções.

Já nas primeiras imagens, o artista se apresenta como sempre foi reconhecido: roupa preta, óculos escuros e aquele vozeirão. A caminho de sua terra natal, Caetité, na Bahia, ele descansa o chapéu preto em cima do painel do carro e segura uma pequena garrafa. Assim, na estrada, ele se sente em casa e anuncia o que virá nas próximas sequencias do filme, os relatos sobre as paixões e a vida boêmia.

À vontade com a equipe de produção, Soriano aparece falando sobre a inspiração em Durango Kid, saudade, solidão e justifica sua trajetória “aventureira” – que resultou no casamento com 14 mulheres – citando a música ‘Ninguém é de ninguém’, faixa-título de seu disco de 1960. Mas também escutou, calado, quando a mulher disse que ele não se cuidava e que fazia sofrer pessoas queridas.

O sofrimento, aliás, parece não ser muito bem interpretado na vida do artista que se orgulhou de dizer que já fora garimpeiro, motorista de caminhão, lavrador e engraxate. “Quando digo isso, tem gente que pensa ‘Poxa, esse cara sofreu muito’. Não sofri, não. Aprendi muito”, desabafou Soriano. Em conversa tensa com o filho, o artista também quis passar mais uma lição aprendida: “Você tinha que ter aplaudido seu pai”.

As filmagens aconteceram no universo familiar de Waldick: além de Caetité, Quixadá, Sobral, Fortaleza e São Paulo. Em Brejinho das Ametistas, na Bahia, foram feitos registros de uma namorada que recebia serenatas de Soriano aos 13 anos. Além dos depoimentos dele e de amigos, o documentário exibe imagens de arquivo, como o programa do Chacrinha, que o ameaça com a frase “Vamos ver se você vai cantar bem, meu filho”. E enquanto ele cantava, o apresentador pedia a participação da plateia, animado e já convencido pelo bom cantor.

As imagens do auge da carreira mostram um Waldick jovem, rodeado de mulheres e com um ar de machão que caía muito bem nos anos 60 e 70, em contraposição às imagens recentes que mostram um Waldick com saúde debilitada e carinhoso no trato com a bela diretora: “É isso, filha”, “Foi assim, filha”, “Está errado, filha”. E também o desabafo, um ano antes de sua morte: “Ainda estou procurando essa tal felicidade”.

Hugo Sukman

1 comentario on “‘Waldick, sempre no meu coração’, documentário de Patrícia Pillar, chega aos cinemas”

  1. #1 Mirian
    em 6th/fev/2010 as 11:09 pm

    Eu não vi o filme mas pretendo. Eu também sempre gostei do Valdick. Nordestina que sou, também com alma de “poeta”, acho que o Valdick foi único e é um mito inigualável, pelo seu estilo, sua voz, sua maneira de dizer a dor dos apaixonados. Ele queria cantar o amor, sem a pretensão de agradar a todos, sem se importar com as críticas. Valdick você permanecerá para sempre nos nossos corações.

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