Ia falar sobre a poluição sonora e visual em Vitória da Conquista que já está competindo com Salvador, mas a questão da violência em geral me deteve e me intimou para que eu não calasse. Não que a poluição não seja um caso de violência, mas resolvi deixar para o próximo comentário.
Na semana passada, num bairro da periferia de Conquista, policiais que foram chamados para apaziguar a agressão de uma adolescente viciada em drogas contra sua mãe usaram da brutalidade e espancaram a menina, deixando-a com seu corpo todo moÃdo.
Só tenho a dizer que esses elementos são piores que os marginais, a grande maioria vÃtima de uma sociedade egoÃsta que virou as costas para não encarar um problema social que se arrasta há anos. Cadê o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente? Aliás, esta instituição está aqui desaparelhada em termos de acolher o menor infrator.
Por motivos óbvios de represália, não vou citar aqui a rua, o bairro e nem nominar pessoas da famÃlia envolvida no caso. O fato é que a polÃcia que esteve no local se achou no direito de dar um corretivo violento na menina de menor. Enquanto durava a sessão de espancamentos com murros e tapas, os militares diziam para a adolescente que as bofetadas eram a forma dela aprender a não mais bater na mãe.
Passa na mente deles que estão ali com a missão de dar corretivos numa menor na base da pancadaria como se estivessem certos que é o procedimento indicado, e que eles podem fazer o que bem entender. Esse tipo de policial, que nunca deveria ter vestido uma farda, coloca na cabeça que tem toda autoridade para agir como bem quiser e dar “lições exemplares de educação e moralâ€.
Sabemos que este é mais um dos casos praticados por militares que, por mais treinamentos que tiveram na corporação, não compreenderam que o trabalho da polÃcia é cuidar da ordem e passar tranqüilidade e confiança à sociedade. Não assimilaram que são pagos pelo contribuinte desde os cursos de formação que receberam.
É certo que o comandante da tropa passa outra orientação e, na maioria das vezes, não toma conhecimento de um ato dessa natureza. Mas, quando se torna público, o que ouvimos sempre é que o fato será apurado e providências serão tomadas.
Só que depois tudo cai no esquecimento, e o policial que optou a entrar na carreira porque não conseguiu encontrar outra alternativa, volta às ruas. Quando o caso é mais grave, o sistema corporativo entra em ação e se aplica uma medida disciplinar administrativa. Raras vezes é afastado, e o crime segue sem punição. Nesses casos a justiça para julgar deveria ser só uma, a Comum.
O caso da menina espancada é um, mas existem policiais que fazem “parcerias†com traficantes e até chefiam quadrilhas, contribuindo para aumentar ainda mais a violência na cidade. Não estou dizendo que a corporação seja a única culpada, mas esses elementos mancham toda tropa, e as pessoas passam a temer mais a polÃcia que os marginais. Esses caras são piores que os bandidos porque eles vestem uma farda e são pagos para proteger a população.
Não me venham com o papo de que a polÃcia é despreparada; não conta com armamentos adequados; trabalha sob pressão; e ganha pouco. A sociedade está cansada de ouvir isso das excelências e dos ilustres representantes do Estado que é a figura mais culpada nesse processo todo.
Esse negócio de salário baixo é conversa fiada e não justifica em lugar nenhum o desvio de conduta. Aliás, um professor hoje está recebendo menos que um militar.
O que é necessário é o aparelho do Estado em geral ter mais rigor na seleção dos soldados, e a Justiça se respeitar e não dar sentença favorável para quem perde psicoteste nos concursos. É preciso mais rigidez nas apurações dos fatos, sem o corporativismo de sempre. É preciso que o Ministério Público seja mais ágil e faça seu papel de defensor da população. Ela precisa ser respeitada e ter voz, sem medo de ser liquidada.
Enfim, é necessário que todos esses segmentos se reúnam e tomem uma solução concreta para reduzir o banditismo, tanto do militar sujo como do marginal que caiu na criminalidade.
A Câmara de Vereadores de Conquista já realizou inúmeras sessões especiais para discutir a violência da cidade e, em todas elas, o papo dos convidados representantes da sociedade é sempre o mesmo. É cada um querendo se aparecer e defender sua instituição. Os argumentos para explicar o aumento da violência mais parecem um disco arranhado, emitindo o mesmo som ou ruÃdo estragado, como os barulhos da axé music e do pagode com letras de péssimo gosto. De concreto mesmo só para inglês ver. Tudo fica na sombra das promessas.
Eu faço um apelo e exorto todos os segmentos da sociedade, inserindo os intelectuais, ara que façam uma reflexão sobre o tema e não se fique apenas no plano teórico da discussão. Está se falando muito em “jararaca†e outras cobras, mas se esquece da estupidez e ignorância de soldados que são a vergonha da corporação militar.
A ditadura passou, mas a tortura e a repressão continuam numa flagrante e escancarada agressão aos direitos humanos. IndivÃduos fardados, por conta própria, entendem que estão acima da lei e usam o método troglodita de baixar o pau como se a eles fosse dado todo direito de punir e apagar os erros através da força.






















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