Deu no Estadão de São Paulo [02/04/2010] o seguinte: “O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, fez ontem uma visita-surpresa ao Daguestão, onde pediu para que a polícia aplique medidas “mais cruéis” e rígidas para combater os responsáveis pela onda de ataques terroristas que deixou mais de 50 mortos esta semana no país”.
Prossegue o Estadão: ”Horas antes da chegada de Medvedev, uma explosão matou dois supostos terroristas e feriu outro. A polícia afirmou que uma bomba de fabricação caseira explodiu no automóvel em que os três suspeitos estavam, no distrito de Khasayurt, perto da fronteira com a Chechênia. O incidente aumentou os temores de que os rebeldes estejam preparando novos atentados”.
Observem que nas duas últimas linhas do parágrafo anterior encontramos: “O incidente aumentou os temores de que os rebeldes estejam preparando novos atentados”. Depreende-se daí que os rebeldes, também chamados de terroristas pelas editorias internacionais, podem, a qualquer momento, mandar mais bombas prá cima dos russos.
Isso é bom? Claro que não. Mas por que esses e essas rebeldes fazem isso? Por que jovens mulheres como a que foi mostrada pela Mídia Mundial se propõem a cumprir missão tão finalista? Uma das moças que se explodiram e mataram mais de 30 pessoas no metrô de Moscou ia completar 18 anos. A agência Reuters informa sucintamente: “Nativa do Daguestão, Dzhennet Abdurajmanova, nascida em 1992, detonou explosivos na estação de metrô Park Kultury”. Nenhum detalhe a mais.
Nós que estamos longe da zona do conflito, aparentemente sem nada a ver com o pepino, ficamos a mercê do que as grandes editorias internacionais nos oferecem em termos de informação. Entretanto, creio que temos o dever humano de não fechar os olhos diante desses acontecimentos. Se assim fizermos estaremos automaticamente homologando pelo silêncio o que os russos estão fazendo com aquelas etnias caucasianas [Chechênia, Geórgia, Daguestão,Ossétia do Sul etc.] . Em nossa opinião, aquilo que os russos fazem por lá é inominável. Condenável sob todos os aspectos.
Os russos [que viram o gato subir no telhado desde o final da década de 90] sabem que a região onde estão estes países é geoestratégica. As reservas de recursos na área (principalmente petróleo) fazem parte das exuberâncias naturais existentes no Cáucaso. O que o Sr. Putin e o senhor Medvedev fazem? Utilizam-se de parte do seu grande aparato militar para tomar na “marra” as riquezas dos indefesos caucasianos. Nossa indignação decorre de a Mídia Mundial abordar o assunto só quando algumas dessas moças ou alguns desses rapazes, tomados por um espírito de coragem incomum, aceitam a missão de detonar bombas a partir dos seus próprios corpos. A grande Mídia deveria esclarecer melhor a comunidade internacional informando que “os terroristas” citados por ela, são seres humanos que vivem pacatamente em suas comunidades e regiões e que há mais de 150 anos vivem sob o domínio do terror econômico- militar dos russos. É lamentável informar, mas o que existe de jovens mulheres na Chechênia que perderam seus maridos em confronto com os russos não está no gibi. Tornaram-se muito jovens as Viúvas Negras. Com tristeza e orgulho podemos historicamente dizer que são essas heroínas que se predispõem a encher seus corpos de bombas para dizer ao Mundo que não agüentam mais ser invadidos, massacrados, dominados e pilhados pelos russos. Temos absoluta certeza que se Dostoievsky e Tolstoi fossem vivos condenariam os seus conterrâneos. É isso aí…



















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